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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Chuva de meteoros Perseidas risca o céu no fim de semana

A noite de sexta-feira (12) será o pico da chuva de meteoros Perseidas, provocada pelos detritos do cometa Swift-Tuttle. O fenômeno poderá ser observado em todo o planeta, mas será melhor visto no hemisfério Norte, pois nos países abaixo do Equador ela será vista muito próximo ao horizonte. No Brasil, a previsão é que o melhor horário para ver o fenômeno seja às 3 horas da madrugada de sábado e que localidades mais ao norte do país terão uma visão mais clara da chuva de meteoros, que já pode ser observadas na noite desta quinta-feira (11).
De acordo com o diretor do Planetário de São Paulo, João Paulo Delicato, a expectativa é que o espetáculo não seja tão forte quanto no ano passado. “Espera-se que caiam de 20 a 30 meteoros por hora”, disse ao iG. Para fazer uma comparação, na última chuva de detritos do cometa Halley, ocorrida em maio deste ano, caíram de 40 a 60 meteoros por hora. Outro fato que vai dificultar a visualização dos será a lua cheia, que deixará a noite mais clara.
A chuva de meteoros Perseidas ocorre todo mês de agosto. Ela é decorrente do cometa Swift-Tuttle, que orbita o Sol a cada 133 anos. A passagem do cometa pela Terra é uma raridade, mas em todo o mês de agosto, a Terra cruza a nuvem de detritos deixada pelo cometa. De acordo com a Nasa, o espetáculo da chuva de meteoros Perseida é observado pelo homem há, pelo menos, 2 mil anos. Ela recebe este nome por causa das constelações de Perseu, de onde o chamado radiante de meteoros parece surgir.
Delicato explica que neste período a Terra está passando pela nuvem de detritos de gelo e metal deixada pelo cometa. “Vale lembrar que ela não é uma coisa homogênea, a chuva de meteoros não é algo que acontece de uma só vez e de uma hora para outra”, disse. Os detritos entram na atmosfera da Terra a uma velocidade de 300 mil a 400 mil km/h. “O brilho da estrela cadente é provocado justamente por esta queima destas partículas”, disse.
Visualização no Planetário do Ibirapuera – Na sexta feira (13) o Planetário de São Paulo vai promover o evento chamado “Banho de Lua”, a partir das 19h. Lá, será possível observar o céu com o auxílio de telescópio. Haverá uma apresentação explicando a chuva de meteoros Perseidas além de observação da lua cheia. O Planetário pede para que se chegue ao local às 18h para a retirada de senhas, pois a entrada é franca, mas limitada. (Fonte: Portal iG)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Cientistas encontram bactéria que obtém energia do hidrogênio

Uma equipe internacional de pesquisadores encontrou pela primeira vez, nas profundezas abissais do oceano, bactérias que utilizam hidrogênio como fonte de energia para produzir matéria orgânica, informou nesta quarta-feira o Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS, na sigla em francês).
Os resultados da pesquisa, realizada com o instituto alemão Max Planck e a Universidade de Harvard, dos EUA, e publicada pela revista científica “Nature”, abrem “perspectivas interessantes” no setor das biotecnologias e das energias renováveis, segundo uma nota do CNRS.
Os cientistas encontraram as bactérias a 3,2 mil metros de profundidade no campo de Logatchev, uma cordilheira submarina no meio do caminho entre o Caribe e as ilhas africanas de Cabo Verde.
A região é uma zona de produção de energia hidrotermal na qual esses organismos, que vivem em simbiose com bancos de mexilhões, consomem até 50% do hidrogênio liberado.
Segundo os dados recolhidos, na extensão de terreno analisada são consumidos até 39 milhões de litros de hidrogênio por ano.
Os pesquisadores descobriram também que o gene responsável pela transformação química do hidrogênio pode ser encontrado igualmente em bactérias que vivem em associação com outros organismos hidrotermais, como vermes e camarões.
“A descoberta implica que a capacidade de utilizar o hidrogênio como fonte de energia é habitual (…) nos lugares onde o hidrogênio abunda”, assinalou o CNRS.
Esses ecossistemas “extremos” interessam particularmente aos cientistas por abrigar condições nas quais se desenvolvem formas de vida primária sobre a Terra, explicou o centro francês.
Nessas zonas hidrotermais, os animais vivem em simbiose com bactérias que são capazes de produzir matéria orgânica mediante a transformação de energia química, em vez de fazê-lo mediante a energia luminosa, como no caso das plantas.
Embora já tenham sido descobertas bactérias capazes de se alimentar de metano e de sulfureto de hidrogênio, o uso de hidrogênio pelas mesmas resulta mais interessante para os cientistas. Segundo o CNRS, sua produtividade é até 18 vezes superior a dessas outras duas fontes de energia. (Fonte: G1)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Nosso futuro será ‘VERDE’ ou não teremos mais futuro, artigo de Johannes Gierse
Nosso futuro será “VERDE” ou não teremos mais futuro!1
VERDE – Fraternidade e a Vida no Planeta – Ações concretas?
[EcoDebate] O objetivo desta carta-circular é semear esperança para a vida no planeta Terra e a esperança tem um nome, um “espírito”, uma cor, um jeito de viver a vida: VERDE! VERDE é sinônimo de VIDA e o que ela implica: seus princípios ecológicos2, os cuidados para com sua sustentabilidade, enfim, VERDE é um paradigma através do qual enxergamos a nós mesmos e a Vida no planeta. As dimensões da vida passam necessariamente pela mediação política, de forma que a questão VERDE tem seu lado partidário. – Por isso pergunto a respeito de sua opinião: somos cidadãos/as e cristãos/ãs ecologicamente cientes, maduros/as, alfabetizados/as???
Um fato: Participei em fevereiro da recreação dos frades em Bacabal, quando um deles comentava vez por outra assuntos do Texto-base da CF. Inicialmente fiquei animado com o interesse dele, até o momento em que disse: “Apesar de ‘os entendidos em ecologia’ tenham razão, eu não sou ambientalista! Das 20 ações concretas que eles sugerem (no Texto-base) talvez eu consiga praticar duas!” Fiquei estarrecido, pois o frade tocou o dedo na ferida: a CF 2011 vai suscitar conversão individual e coletiva?
Por um lado, as aceleradas mudanças climáticas são cada vez mais notáveis: Na Alemanha, a estação da primavera não aconteceu; os meses de maio/junho eram marcados por estiagem e tempestades. Em poucas horas choveu 100 litros/m², de forma que algumas cidades ficaram submersas. As imagens da Serra do RJ se repetiam! A mídia do lado de lá e de cá do Atlântico atribui estes fenômenos á “fúria da natureza”. De volta no Brasil ouço notícias das enchentes em Roraima e do inverno recorde no Sul e Sudeste. – Você sabia que quase 20% dos municípios brasileiros decretaram emergência ou calamidade em 2010?3
Por outro lado, andando pelo Brasil afora, vendo a política econômica e conversando com o povo, estou inclinado a cair em pessimismo, pois o núcleo da questão ecológica ainda não é entendido e menos ainda assimilado por muita gente. O alarme dos cientistas e as mudanças climáticas palpáveis a cada dia, em cada lugar, não suscitam mudanças de hábitos do nosso estilo de vida! Muitos reduzem a questão ecológica a um simples aspecto ambiental minimizando a gravidade da crise em curso. Eis a opinião de uma amiga no Piauí: “O movimento ambientalista não é louco, é bem intencionado quando vê a necessidade de preservar certas regiões do planeta, como florestas e a calota polar, mas sonhador quando defende o retorno de um mundo mais simples, mais natural, mais primitivo. Hoje nós somos 6 bilhões de habitantes e não podemos abrir mão de nossas conquistas tecnológicas, se quisermos cuidar de doenças e produzir alimento em grande escala. Isto, infelizmente, resulta algumas vezes em agressão ao meio ambiente. O primitivismo já não daria conta e isto resultaria em fome global.”
Muitas pessoas entendem a história da humanidade como um processo inquestionável e irreversível de um crescimento linear e infinito que “um dia“ proporcionará prosperidade a todos. Para esta finalidade é imprescindível sacrificar a natureza; basta a simples preservação de algumas reservas naturais. Porém, esta visão distorcida não enxerga o ciclo da Vida acontecendo em relações de interdependência de todos os seres.
Será que a própria crise ambiental globalizada, cuja ponta do iceberg é o aquecimento global, vai curar nossa miopia ecológica para enxergarmos os princípios básicos que regem a vida? “O que pode parecer bom em curto prazo irá permitir impactos que, em médio e longo prazo inviabilizarão a continuidade do próprio agronegócio”.4 Cegados não nos damos conta de que “está sendo desenhada e acirrada neste exato momento uma polarização na disputa pelo futuro do país“5 e pelo futuro do mundo! Ainda não sentimos “o espagate crescente” que requer uma decisão urgente da humanidade: Queremos crescimento econômico e tecnológico apenas sob o critério quantitativo ou precisamos um crescimento qualitativo caracterizado pela sustentabilidade ambiental?
Ainda não nos conformamos com a verdade verdadeira: Já que cada atividade econômica causa um impacto ambiental, depende de nós organizar a economia de forma que seu impacto não seja devastador! Embora saibamos que os recursos naturais – água, ar, terras fertéis, minerais – são limitados ou podem empobrecer em qualidade, não consideramos a sustentabilidade como regra primária do desenvolvimento. Um progresso sem limites e sem justiça social é pura ficção. “A natureza não se engana nunca, somos nós que nós enganamos”, dizia Jean-Jacques Rousseau. E aqueles que enganam a si mesmos, resistindo a serem curados de sua eco-miopia, taxam os que têm uma visão mais profunda das relações da vida, como eco-chatos, biodesagradáveis, urbanóides insensíveis às necessidades dos agricultores, contra-desenvolvimentistas atrasadores do crescimento do país, ou de manipulados por ONGs internacionais, que preferem salvar uma árvore ao invés de uma criança faminta.6
Enquanto a humanidade disputa com posições bastante polarizadas sobre o rumo a ser seguido nesta encruzilhada, a própria natureza emitindo sinais de alarme obriga-nos aceleradamente a realizarmos mudanças concretas. Mas, será que as catástrofes no Brasil curtem efeito na mentalidade e nos costumes dos cidadãos/as.
Grande impacto ímpar causou a catástrofe natural (!) do terremoto-tsnumi no Japão que resultou no desastre nuclear. Ela tornou-se a gota de água para que o governo da Alemanha cedesse à pressão do povo de abolir uma vez por todas, em curto prazo, a energia nuclear7; caso contrário, a chanceler Merkel perderia ainda mais seu poder. Nas últimas eleições estaduais, o Partido dos Verdes, que na década de 70 era desacreditado como fundamentalista, obteve mais de 20% dos votos conquistando pela primeira vez o cargo de governador num Estado onde a Direita governava há mais de 50 anos e tornado-se o segundo mais votado partido.
Percebo mudanças parecidas no cenário político partidário no Brasil: Quando nas últimas eleições a candidata à presidência, Marina Silva, surgindo do nada, no meio do bloco da Direita e da Esquerda, arrastou 20% dos votos, aqueles eleitores sabiam muito bem que ela seria uma presidenta “incapaz” de governar tamanha nação, e que o PV é tanto quanto inconfiável como os demais. Mas, aqueles 20% do eleitorado queriam apontar para o VERDE enquanto exigência prioritária de uma nova política, até hoje tratada de forma apenas secundária pela Direita e Esquerda. Dilma e Serra entenderam o recado dado no 1º turno e modificaram seu discurso; duvida-se, porém, se “os velhos políticos” querem realmente uma política econômica ambientalmente sustentável.
Nosso futuro será “VERDE” ou não teremos mais futuro!
A ameaça imanente da destruição das condições básicas de vida humana no planeta pelo próprio ser humano, traz à tona e sintetiza as graves falhas político-econômicas, socio-ecológicas, éticas e religiosas cometidas pela humanidade nos últimos séculos. Consequentemente, o nosso futuro tem que ser VERDE, tem que ter este olhar, espírito, jeito ecológico ou não teremos mais futuro e nem esperança. É tarde demais para se brigar por mesquinhas divergências políticas partidárias. É tarde demais para competir por hegemonias políticas ou econômicas. É tarde demais para correr atrás de interesses egoístas. Chegou a hora das pessoas de boa vontade que são aquelas que põem suas idéias, sua inteligência, suas forças e meios em comum. Todos devem convergir num único interesse: o do cuidado com a Vida no planeta. O VERDE perpassará todas as nossas dimensões: Tampouco as religiões poderão omitir-se na questão ecológica, há quem já fala em “mudança verde das religiões”. Representantes das três religiões monoteístas se reuniram em Jerusalém para elaborar e divulgar a “Declaração da Terra Santa sobre as Mudanças Climáticas” reconhecendo também as raízes espirituais dessa crise e a importância de oferecer uma resposta religiosa.8
A lição dos insetos: como ser ambientalista
Em julho, num domingo à tarde, realizamos um passeio ecológico nas bancas de areia do Rio Tapajós; éramos oito pessoas, na maioria crianças e adolescentes. Ao coletar as latas e garrafas de cerveja, as sacolas plásticas e outros resíduos no meio dos bares e de uma multidão de banhistas, um bêbado se dirigiu a mim dizendo: “Ah, já sei, o senhor é ambientalista!”. Fiquei calado, não soube replicar. Mas, acredito eu que num futuro não muito distante as palavras “ambientalista” e “ecologista” não serão mais apelidos, nem terão mais uma conotação pejorativa, mas serão usados como títulos que expressam respeito, conhecimento, competência e mérito por aqueles que preservam e defendem a Vida.
Todos nós deveríamos ter uma inteligência ecológica a exemplo das colônias e dos enxames de insetos.9 Em qualquer colônia de formigas, nenhuma formiga isoladamente entende o quadro maior ou lidera as outras formigas; ao contrário, cada formiga segue regras básicas simples que funcionam bem de inúmeras maneiras e que levam à concretização dos objetivos de auto-organização. As formigas encontram o caminho mais curto para uma fonte de alimento com regras simples. A inteligência dessas colônias permite a concretização de um objetivo maior, fazendo muitos indivíduos seguirem princípios simples. Nenhum deles precisa orientar os esforços do grupo para alcançar a meta geral, tampouco há necessidade de um diretor centralizado. No que diz respeito a nossos objetivos ecológicos coletivos, as regras da colônia de formigas podem ser resumidas em: 1. conheça seus impactos; 2. defenda melhorias; 3. compartilhe o que aprender.
Incentivado por esta “lição das formigas” quero remar contra minha própria tendência de olhar angustiado e com pessimismo para o nosso futuro.
É tarde demais para ser pessimista!
Quero falar de coisas e pessoas boas que defendem melhorias!
1.                     Aconselho a todos e todas vocês que acessem o site www.ecodebate.com.br, lá tem diariamente artigos fantásticos que nos informam e mobilizam.
1.                     Peço ainda encarecidamente que vocês me mandem relatos de ações inovadoras que suscitam mudanças pessoais e coletivas!
No final deste ano as ações transformadoras serão publicadas numa carta-circular e concorrerão a dois prêmios:
o primeiro será dado por Deus em forma de mais qualidade de vida;
o segundo será dado em forma de um valor real (em R$)!
Acreditem!
1 Frei Johannes Gierse, franciscano, mestrado em missiologia, atualmente em Jacareacanga-PA (Rio Tapajós, Transamazônica).

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Licenciamento Ambiental, artigo de Roberto Naime
O licenciamento é um mecanismo de controle que o estado exerce sobre as atividades dos cidadãos com a finalidade de proteger a todos. Está é uma função estatal precípua, uma vez que só o estado tem o poder de controlar e intervir nos empreendimentos com a finalidade de proteger o conjunto da sociedade.
Nos Estados Unidos da América do Norte o sistema de licenciamento é diferenciado, pois prevalecem os princípios constitucionais de plena liberdade e o controle ambiental é muito eficiente mas tem características próprias. Como uma singela forma de compensação, os Estados Unidos foram os precursores da criação de parques e reservas nacionais, sendo relevante citar o parque de Yellowstone nos estados de Wyoming, Montana e Idaho criado em 1 de março de 1872.
Este parque sempre impressionou pela sua beleza natural e cristalizou o conceito de que as manifestações singulares que a natureza é capaz de produzir devem ser protegidas. Trata-se de um campo vulcânico com inúmeros gêiseres, que são nascentes termais anexas a manifestações vulcânicas e que tem manifestações periódicas de grande beleza. O nome gêiser provém de geisyr, nome de uma nascente eruptiva em Haukadalur na Islândia, provindo do verbo gjósa que é “jorrar”.
Na Europa, com muito mais população e muito menos área territorial, as necessidades impuseram um modelo de licenciamento mais clássico que inspirou em muito o modelo institucional brasileiro, cujas diretrizes são fixadas pela Resolução 237/97 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).
No Brasil o sistema de licenciamento prevê a obtenção de licença prévia (LP), licença de instalação (LI) e licença de operação (LO). O licenciamento ambiental é uma obrigação legal prévia à instalação de qualquer empreendimento ou atividade potencialmente poluidora ou degradadora do meio ambiente e possui como uma de suas mais expressivas características a participação social na tomada de decisão
A Licença Prévia (LP) se refere ao licenciamento preliminar do empreendimento, que deve comprovar que se enquadra nas normas de zoneamento ambiental municipal proposto pelos planos diretores municipais e estaduais ou federais quando houver zoneamento econômico ecológico geral ou específico para a atividade.
A Licença de Instalação (LI) é a autorização de instalação do empreendimento ou atividade que deve ter todo seu projeto modificado e adequado à situação do local, para que suas atividades sejam compatibilizadas com as características dos meios físico, biológico e sócio-econômico ou antrópico específicos, seguindo planos de controle e monitoramento aprovados em conjunto pelo empreendedor, órgão de controle ambiental e população.
A Licença de Operação (LO) autoriza o começo das operações após todas as restrições e condicionantes das licenças anteriores terem sido adequadamente contemplados, em conjunto com a implantação dos controles ambientais estabelecidos pelos planos de controle e monitoramento aprovados em conjunto.
A função estatal implica em adotar sistemas de gestão ambiental na administração da coisa pública e agir como estado nas funções de fiscalização e proteção da qualidade de vida de todos os cidadãos.
Então não faz muito sentido o alarde que se escuta por parte de empreendedores ou do próprio governo como empreendedor contra o licenciamento ambiental como se fosse um entrave ao desenvolvimento a qualquer preço.
O que faz sentido é que junto com a autonomia que de certa forma já é dada aos órgãos ambientais também se proceda a devida estruturação técnica e material para que estes entes exerçam adequadamente suas funções.
As entidades empresariais clamam por adequada implantação, ampliação e regularização das atividades produtivas, melhoria efetiva da qualidade ambiental e obtenção de reflexos diretos no planejamento mais seguro das atividades produtivas e na competitividade dos produtos.
E para isto várias entidades empresariais com credibilidade tem proposto discutir e avaliar a sistemática de licenciamento ambiental vigente, a fim de identificar os pontos críticos dos procedimentos em vigor, e a dimensão de suas implicações para as atividades produtivas; tem proposto soluções e alternativas para consertar “pontos críticos”, por meio de ações políticas, institucionais e técnicas;e tem proposto mecanismos de capacitação/orientação dos diversos setores industriais quanto aos aspectos técnicos/institucionais relacionados ao Licenciamento, num caminho de duas mãos.
Para quem acompanha as manifestações empresariais de entidades relevantes e sérias, sabe que empreendedores e empresas reclamam ainda, e com razão, de custos elevados em função de tributos e demoras, que se refletem na competitividade; na existência de entraves nos processos institucionais e legais; na carência de recursos humanos muitas vezes existentes, na deficiência de instrumentos técnicos e até na baixa eficácia do licenciamento e fiscalização que de certa forma induz a concorrências desleais, uma vez que os custos entre empresas ambientalmente adequadas e empresas que não atuam desta forma são muito diferenciados.
Os empresários se inspiram numa espécie de manifesto de fazer as coisas acontecem. “Getting Things Done” de David Allen; e insistem nos problemas gerados com prazos nas licenças; a falta de procedimentos simplificados; o custos elevado do Licenciamento e muitas vezes a falta de um Sistema de Informações eficiente.
Cabe citar ainda a falta de validação para os sistemas de desempenho ambiental e eventuais entraves institucionais (falta de planejamento territorial, judicialização que não atende aos interesses da sociedade e a ausência de representatividade).
Como se observa são mais problemas que podem ser adequadamente resolvidos com adequado aparelhamento para operacionalização do que propriamente questionamentos conceituais.
De alguma forma é chegado o momento de perceber as vantagens competitivas geradas pela eficiência ambiental se não houver a simples conscientização de que estamos todos no mesmo barco e as entidades empresariais se associarem aos órgãos ambientais na busca de melhores condições de infra-estrutura e melhores condições operacionais para o funcionamento e efetivadade dos sistemas de licenciamento ambiental.
Dr. Roberto Naime, colunista do EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.