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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Educação ambiental para as crianças de hoje


Maria Tereza Jorge Pádua - 14/01/14


Crianças visitam uma usina de reciclagem em Poá/SP. A imagem é boa, mas só isso não basta. Foto: Julien Pereira / Prefeitura de Poá-SP

Embora existam muitos projetos de educação ambiental para crianças, eles são sempre pontuais, portanto incompletos, não permitindo visão do conjunto da problemática ambiental. Com demasiada frequência abordam temas muito concretos, como a reciclagem, por exemplo, ensinando a fazer papel reciclado, ou a usar outros materiais descartáveis como latas, vidros, garrafas pets, etc. Também existem alguns cursinhos de compostagem, uso do biogás ou vivências na natureza.

Não há que se desprezar o ensino do uso menos consumista e mais eficiente dos recursos naturais. No entanto, isso deixa a desejar se as crianças não entendem que a reciclagem serve de muito pouco, se não for acompanhada de uma melhor compreensão do contexto ambiental e de uma explicação das outras ações que são tão ou mais importantes e urgentes. É quase uma enganação fazer com que as crianças acreditem que reciclando farão algo realmente importante, se o gesto não vier acompanhado da análise do "antes" e do "depois" do lixo e do produto reciclado. Na verdade, o mais importante é que jovens estudantes compreendam porque não deve haver desperdício.

Neste contexto, surpreende o imenso vazio que caracteriza o ensino, formal ou informal, do que realmente é a natureza e da importância da conservação da biodiversidade. Não se trata de ensinar a "amar e cuidar dos bichinhos do mato". Trata-se de explicar os fundamentos da ecologia e a importância dos seres vivos e de todos os fatores abióticos que com eles interagem, o que pode perfeitamente ser feito de uma maneira amena e simples.

No Brasil, praticamente não há ensino formal nos níveis fundamental e médio sobre o tema e são poucos os projetos da sociedade civil que o abordam seriamente. Nas universidades, essas são disciplinas exclusivas para os que vão se dedicar às profissões relacionadas. Depois reclamamos que mesmo nossas autoridades constituídas, e até mesmo algumas da área ambiental, ignoram solenemente o assunto. Pudera: onde aprender? Onde aprender sobre o que é o mais fundamental para a nossa espécie, a vida?

Sempre digo que nossa espécie é suicida e os fatos vêm demonstrando isso. Assuntos como mudanças climáticas com a repercussão direta sobre a conservação da biodiversidade ou a permissividade de nossas novas leis para o uso florestal, por exemplo, para o desmatamento, para as queimadas, para as enormes monoculturas, para o uso inadequado das águas, aí estão para serem abordados nas salas de aula.

Os profissionais que hoje trabalham na área ambiental são, em geral, engenheiros florestais, biólogos, agrônomos, geógrafos, sanitaristas e médicos veterinários. É óbvio que deles se espera que saibam a real dimensão da problemática ambiental. Mas eles não são os únicos, nem principalmente os que decidem o futuro da nação. O futuro depende de muitos outros que, no passado, tinham uma formação global que lhes permitia compreender a real dimensão do ambiente. Com efeito, antes de existirem estas profissões, trabalhavam na área de conservação da natureza, ou por ela lutavam, engenheiros civis (André Rebouças, Euclides da Cunha, por exemplo), médicos (Luiz Emídio de Mello Filho, Ângelo Machado) e engenheiros agrônomos (Wanderbilt Duarte de Barros, Alceo Magnanini, David Azambuja, entre outros). José Bonifácio Andrada e Silva, talvez nosso mais expressivo ambientalista do passado remoto, fez vários cursos, desde História Natural até Mineralogia.

Os pedagogos responsáveis pela educação de nossas crianças não estão sendo bem preparados para lidar com conservação da biodiversidade e, assim sendo, por maior que seja a boa vontade dos mesmos, não conhecem o assunto. Além de boa vontade, o ensino necessita de conhecimentos específicos, o que é cada dia mais difícil, pois professores são mal remunerados e pouco respeitados.
Mais importante ainda é o fato de não se exigir este ensino na área formal da educação. Por isso, muitos se arvoram em serem doutores no assunto, mesmo sendo neófitos ou totalmente ignorantes sobre o tema.

O Brasil, que é o país mais megadiverso do planeta, o que possui a maior mancha de floresta tropical e a maior bacia hidrográfica, é um dos que menos educa sobre estes temas fundamentais para a sobrevivência de nossa espécie. Assim sendo, se a educação pública não fizer uma profunda e urgente mudança, é improvável que o futuro seja mais favorável a um equilíbrio entre sociedade e ambiente. Parafraseando Jared Diamond: "ainda bem que não estarei aqui daqui a cinquenta anos".

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Calor e frio extremos: um futuro nada animador


Paulo André Vieira - 12/01/14


Nas últimas semanas o verão no hemisfério sul fez muitos brasileiros incluirem em seu vocabulário termos como sensação térmica e índice de calor, enquanto os cidadãos dos EUA eram castigados por nevascas e uma onda de frio como há muito não se via no país. Enquanto no Rio de Janeiro os cariocas enfrentavam uma sensação térmica de 50ºC, no nordeste do estado americano de Montana eram esperados -50ºC.

Segundo o novo relatório do IPCC publicado no final de 2013, as mudanças climáticas causada pelo homem são provavelmente umas das responsáveis pelos eventos climáticos extremos e as calamidades causadas por eles. O relatório é direto ao apontar que é extremamente provável que a influência humana tem sido a causa dominante do aquecimento observado desde 1950.

A imagem abaixo, divulgada pelo Earth Observatory da NASA, mostra as chuvas que castigaram os estados de Minas Gerais e Espírito Santo em dezembro de 2012. Até 27 de dezembro pelo menos sete cidades registraram novos recordes para quantidade de chuva recebida em um único mês, de acordo com uma análise preliminar conduzida pelo Instituto Nacional de Meteorologia do Brasil (INMET).

O mapa compara as taxas de precipitação de dezembro de 2103 com as médias registradas em dezembro entre 1998 e 2012. Quanto mais escuro o azul muito mais intensa do que a média foi a precipitação.


Já as duas imagens abaixo, que registram as variações na temperatura média da superfície da terra, mostram como variaram as temperaturas nos EUA no espaço de apenas um mês. O primeiro mapa, com dados dos dias 03 a 10 de dezembro de 2013, mostra uma costa oeste com temperaturas abaixo da média enquanto a costa leste e o Alasca registravam temperaturas bem acima da média histórica para o período. Um mês depois o panorama se inverte, com os dados dos dias 1 a 7 de janeiro de 2014 mostrando as baixíssimas temperaturas registradas na costa leste e um inverno muito menos rigoroso na costa oeste.



Enquanto isso a Europa enfrentava um período de clima excepcionalmente quente, que fazia as celebrações de fim de ano terem chuva em vez de neve, enquanto se discutia se haverá neve suficiente para os próximos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, na Rússia.


Já na Austrália o ano de 2013 se provou o mais quente na história. Quase 9% das cidades e vilas da Austrália registraram temperaturas recordes entre 01 e 04 janeiro de 2014.


Por fim, a animação abaixo, feita com dados do Laboratório Geofísico de Dinâmica dos Fluidos do NOAA, mostra uma projeção para as temperaturas da superfície do planeta até o ano 2100, caso o pior cenário de emissões de gases se concretize. Medindo a diferença entre a quantidade de energia solar que entra e sai de nosso planeta é possível definir o quanto ficou armazenada no sistema terrestre de acordo com as concentrações de gases de efeito estufa, partículas de aerossóis emitidas e outros agentes climáticos.

Este cenário, no qual as emissões continuam a crescer em ritmo acelerado, prevê um armazenamento adicional de 8,5 watts por metro quadrado (W/m2) adicionais. Se isso vier a ocorrer, a superfície da Terra poderia aquecer entre 2,6 °C e 4,8 °C ao longo deste século, fazendo com que o nível dos oceanos aumente entre 45 e 82 centímetros. Na animação, a cor vermelha significa que a temperatura é prevista para ser maior do que a média do século 20, e se é azul está previsto para seja menor do que a média. Se os números acima não conseguem deixá-lo preocupado, talvez a quantidade de vermelho na animação abaixo consiga (a animação é grande, pode demorar um pouco para terminar de carregar).


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Grave déficit de abelhas ameaça cultivos na Europa



A Europa tem um déficit de 13,4 milhões de colmeias, ou seja, de 7 bilhões de abelhas, para polinizar seus cultivos corretamente, afirmaram cientistas da Universidade de Reading. Matéria da AFP, no Yahoo Notícias.

Segundo as conclusões do estudo [Promoting Pollinating Insects in Intensive Agricultural Matrices: Field-Scale Experimental Manipulation of Hay-Meadow Mowing Regimes and Its Effects on Bees] publicado nesta quarta-feira na revista Plos One, devido ao desenvolvimento dos cultivos de oleaginosas (como soja, girassol ou canola, usados principalmente como agrocombustíveis), as necessidades de polinização cresceram cinco vezes mais rápido do que o número de colmeias entre 2005 e 2010.

“A Europa tem apenas dois terços das colmeias de que precisa, isto é, um déficit de 13,4 milhões de enxames, o equivalente a 7 bilhões de abelhas”, informaram os autores do estudo.

Na metade dos 41 países estudados, “não há suficientes abelhas para polinizar corretamente os cultivos, principalmente na França, Alemanha, Reino Unido ou Itália”, acrescentaram os cientistas.

O caso da Grã-Bretanha é um dos mais preocupantes, pois este país tem menos de um quarto do número de abelhas de que precisa para a polinização.

Segundo os cientistas, a agricultura se tornou cada vez mais dependente dos polinizadores “selvagens” (besouros, etc), espécies que podem ser vulneráveis, especialmente no caso das monoculturas, concluíram os cientistas.

“Este estudo mostra que a política europeia na área dos biocombustíveis tem como consequência imprevista nos tornar mais dependentes dos polinizadores silvestres”, destacou Tom Breeze, um dos autores do estudo.

Promoting Pollinating Insects in Intensive Agricultural Matrices: Field-Scale Experimental Manipulation of Hay-Meadow Mowing Regimes and Its Effects on Bees Pierrick Buri, Jean-Yves Humbert, Raphaël Arlettaz Research Article | published 09 Jan 2014 | PLOS ONE 10.1371/journal.pone.0085635

EcoDebate, 10/01/2014

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Nasa prevê ‘chuva de ferro derretido’ e ‘neve’ de areia quente em estrela anã


A primeira previsão do tempo para uma estrela anã marrom acaba de ser divulgada – e os prognósticos não são bons. Astrônomos preveem chuva de ferro derretido e ‘neve’ de areia quente, com possibilidade de trovoadas e furacões.

Novas observações do telescópio Spitzer, da agência espacial americana Nasa, revelam nuvens turbulentas que circulam ao redor da estrela anã marrom.

Estrelas anãs marrons são consideradas uma espécie de versão ‘fracassada’ de um astro normal, já que elas não conseguiram adquirir massa suficiente para sustentar o contínuo processo de fusão de átomos.

A previsão meteorológica foi divulgada no 23º encontro da Sociedade Americana de Astronomia, em Washington.

‘Deixe nevar’ – É o retrato mais detalhado já feito de um planeta fora do sistema solar.

Ao comentar o estudo, o professor Adam Burgasser, da Universidade da Califórnia, fez uma brincadeira com a canção de jazz “Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!”.

“Vamos todos cantar a previsão de nossa estrela anã mais próxima: deixe nevar pedras, deixe nevar areia, deixe nevar minerais”, disse Burgasser.

Os astrônomos usaram o Spitzer para analisar 44 estrelas anãs marrons diferentes no sistema de Luhman 16AB – o mais próximo da Terra com presença de estrelas anãs, a 6,5 milhões de anos-luz do nosso sistema.

Eles encontraram evidências de clima em apenas metade delas.

“As tempestades em estrelas marrons são muito mais violentas e variáveis”, diz Aren Heinze, da Stony Brook University, de Nova York.

“A chuva é quente demais para virar água. Provavelmente se trata de ferro derretido e silicatos (areia).”

Na medida em que os astros giravam ao redor do próprio eixo, os astrônomos observaram mudanças no brilho da superfície – sinais da existência de nuvens.

“Isso faz de nós ‘astro-meteorologistas’. Nós conseguimos prever quão encoberto o tempo ficará, qual será a temperatura e quanto vento haverá em um determinado dia”, disse Burgasser.

Os ventos detectados possuem velocidades de 160 a 640 quilômetros por hora. As temperaturas alcançam 1,2 mil graus e há nuvens cobrindo metade da superfície do planeta.

Uma nuvem sozinha chega a cobrir 20% da estrela. Astrônomos a compararam com a Grande Mancha de Júpiter, uma gigantesca tempestade que cobre 1% do planeta.

“Ao que tudo indica, a Grande Mancha Vermelha não é tão grande assim”, diz Burgasser. (Fonte: G1)