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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Os desafios da gestão ambiental no Brasil, artigo de Pedro Ferraz Cruz
 [Correio Braziliense] Publicada em 9 de dezembro, a Lei Complementar nº 140/2011 regulamentou o artigo 23 da Constituição Federal de 1988, que trata da competência comum da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios nas questões relativas à gestão ambiental. A nova lei, ao instituir a delegação da execução de ações administrativas como um dos instrumentos de cooperação entre os entes federados, é mais um passo em direção ao federalismo no Brasil, processo de descentralização do poder em curso nos últimos 30 anos.
A gestão compartilhada entre os três níveis do Executivo é um esforço do poder público na tentativa de atender a crescente demanda da população por serviços públicos, sejam na área da saúde, da educação, do saneamento ou na ambiental. A edição da Política Nacional de Meio Ambiente em 1981, Lei nº 6.938, já demonstrava o modelo republicano federativo do Brasil ao instituir o Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), do qual fazem parte os órgãos federais, estaduais e municipais de meio ambiente, e o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), órgão normativo e deliberativo, além dos conselhos estaduais e municipais, também integrantes do Sisnama.
Outro marco legal, pós-Constituição Federal, foi a publicação da Lei dos Crimes Ambientais (nº 9.605), em 1998, e da Política Nacional de Recursos Hídricos (nº 9.433), em 1997. Ambas ampliaram o poder local ao possibilitar que estados e municípios se tornassem autoridades competentes para fiscalização e ao instituir a criação de comitês de bacias hidrográficas, que são colegiados público-privados responsáveis pela gestão dos recursos hídricos em cada bacia.
O federalismo pleno ainda é uma realidade distante no Brasil, principalmente pela falta de capacidade técnica nos pequenos municípios, falta de transparência, para não falar da maior sujeição do poder público aos desmandos do poder econômico local. A falta de recursos financeiros para institucionalizar as políticas públicas no nível municipal é outra forte barreira à eficácia da gestão descentralizada do combate aos crimes ambientais e da preservação e melhoria da qualidade ambiental.
Segundo o IBGE, em 2008, os 5.564 municípios brasileiros possuíam quase 25 mil servidores na área de meio ambiente, resultando em uma baixíssima média de 4,5 por município. A situação piora quando se trata dos 2.558 municípios com menos de 10 mil habitantes: 31% deles não possuem nenhuma estrutura administrativa na área ambiental. E os 69% restantes (1.767) somam apenas 9% do efetivo total do País, 2.230 servidores.
A descentralização da gestão ambiental é mais problemática que a descentralização da gestão de outros serviços públicos, como o transporte urbano, a segurança e a educação, pois não tem circunscrição territorial, seja urbana ou rural. O meio ambiente é, em sua essência, transfronteiriço, não está contido em um limite administrativo.
Dois municípios banhados pelo mesmo rio poderão executar políticas de tratamento de esgoto absolutamente distintas, uma com alta tecnologia, alto custo e alta eficiência, outra com baixo custo e baixa eficiência, resultando, necessariamente, em baixa efetividade da ação dos governos locais ao constatar-se a permanência da poluição hídrica.
Esse exemplo pode ser transposto para a questão do desmatamento, da poluição atmosférica, das emissões de carbono, do assoreamento dos rios e do tráfico de fauna silvestre. Será extremamente difícil estabelecer limites de competências entre os entes federados pelo simples motivo de um bioma ou um ecossistema perpassar qualquer tipo de limite administrativo.
As assimetrias regionais mostram como a governança ambiental ainda é muito díspare entre municípios do Norte e do Sul do país. Mesmo que regiões mais adiantadas tenham experimentado algumas formas de articulação intermunicipal, ainda não obtiveram êxito as duas principais tentativas: os comitês de bacias hidrográficas e os consórcios intermunicipais para disposição de resíduos sólidos e recuperação da qualidade da água.
Por enquanto, o enfraquecimento dos órgãos federais facilitará o caminho para os crimes ambientais que ultrapassam os estados, como a rede de extração da madeira da Amazônia que é consumida no Sul, a produção de gado no Norte que abastece os mercados do Sudeste, a extração de minérios que são consumidos ao redor do mundo, o carvão do Nordeste que é queimado nos autofornos de Minas Gerais, o petróleo da bacia de Campos que movimenta carros e indústrias nos principais centros urbanos do país.
Os problemas do novo modelo de gestão ambiental brasileiro não serão equacionados somente com a dedicação dos poderes Legislativo e Executivo. As soluções possíveis passam, obrigatoriamente, pela participação da sociedade, por meio do ativismo ambiental, do consumo consciente, do acesso democrático aos recursos naturais. Há um longo caminho pelo qual deverão passar as sociedades e os governos, baseado em educação e comunicação.
Pedro Ferraz Cruz é geógrafo formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Artigo originalmente publicado no Correio Braziliense e socializado pelo Jornal da Ciência / SBPC, JC e-mail 4405.
EcoDebate, 15/12/2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O APOCALIPSE DO CONFORMISMO

Enquanto vivenciamos as “farsetas” do licenciamento ambiental visando legitimar a destruição sócio-ambiental do país, assistimos os fracassos da Conferência da ONU sobre mudanças climáticas (COP-17) – realizado nas últimas duas semanas em Durban na África do Sul.

Ainda que a opinião da ciência e a vontade popular ingênua e bem intencionada mostram-se contra tamanha marcha reversa, os “poderosos” teleguiados pela voracidade do capital desrespeitam as leis ambientais, demonstrando irresponsabilidade e descaso com a questão ambiental e com a opinião pública.

Embora a legislação ambiental seja avançada, ela é regularmente desrespeitada; "o Estado cria artimanhas e “farseia” procedimentos visando a liberação de licenças e arrecadação de ativos em curto prazo, alterando se necessário as leis para facilitar a destruição e oferecer segurança “jurídica” para a dilapidação". (Trecho da nota divulgada em Belo Horizonte, durante Diálogos da Terra no Planeta Água)

A desonra ao mérito fica, ao final, com os colegiados deliberativos compostos por maiorias dispostas a entregar o ouro, as águas, a floresta.....e, também, àqueles que nesta última semana implodiram a gestão ambiental no país com a lei complementar nº 140/2011 que trata da competência para o licenciamento ambiental.

Agora, o Ibama não poderá fiscalizar desmatamentos, pesca, extração mineral, degradação de empreendimentos licenciados pelos Estados e Municípios. É o enfraquecimento da proteção dos recursos naturais, uma vez que, na maioria dos casos, os Estados e Municípios, além de contarem com pouca estrutura, são mais vulneráveis às pressões empresariais e políticas.

E tem mais atrocidades por aí: Decreto presidencial prorrogando multas por desmatamento, a hidrelétrica de Belo Monte descendo a seco na goela do MPF. No MS a média de índios Guarani Caiuá assassinados supera mortes no Iraque. Tudo isso em nome do crescimento econômico, alimento farto para esta governança global perversa.

"Porque somos frequentemente inertes a estas questões, como as do ambiente, que poderão condicionar o futuro bem próximo? Por quê? Comodismo? Conformismo? Medo? Indiferença? Falta de consciência social? O que nos faz ter estas atitudes perante previsíveis tragédias que irão afetar os nossos filhos?" (http://a_verdade_da_mentira.weblog.com.pt/arquivo/118082.html)

Rodrigo Mesquita Costa
Advogado e Analista Ambiental

 



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Dilma suspende por mais quatro meses multas por desmatamento

A presidente da República, Dilma Rousseff, assinou um decreto que prorroga por mais quatro meses a suspensão de multas aplicadas a proprietário rurais que descumprem a atual lei ambiental por desmatamento. O texto foi publicado no “Diário Oficial da União” desta segunda-feira (12).
O decreto anterior que suspendia as multas venceu neste domingo (11), o que deixaria milhares de produtores na ilegalidade. A intenção do governo é esperar a votação do Código Florestal na Câmara, que pode conceder anistia a parte dos produtores que devastaram suas terras. A suspensão das multas vale até 11 de abril de 2012.
Na sexta-feira (9), a assessoria da Casa Civil informou que o decreto estava pronto, mas ainda não havia sido assinado..
Essa é a terceira prorrogação da suspensão das multa. Em novembro de 2009, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia estendido por mais 18 meses o prazo para que produtores rurais façam o registro da reserva legal da propriedade em cartório sem que sejam notificados ou multados pelos órgãos ambientais. A presidente Dilma, por sua vez, prorrogou a suspensão mais uma vez, de 11 de junho deste ano para o último dia 11 de dezembro.
De acordo com líderes do governo e da oposição, o projeto que altera o Código Florestal – aprovado no último dia 5 no Senado – só deverá ser votado na Câmara dos Deputados em 2012. A proposta foi aprovada na Câmara em maio, mas como foi modificada no Senado, deverá passar por nova análise dos deputados. (Fonte: Priscilla Mendes/ G1)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Greenpeace classifica resultado da COP-17 como fracasso

A ONG internacional Greenpeace criticou duramente a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-17) – realizada nas últimas duas semanas em Durban -, descreveu-a como uma “fracasso” e afirmou que os governos participantes “deveriam se sentir envergonhados”. “As negociações de Durban acabaram da mesma forma como começaram: em fracasso”, diz um comunicado divulgado no site da entidade. “Os governos preferiram ouvir os poluidores ao povo”.
O Greenpeace acusa os líderes que participaram da Conferência de terem fracassado no reforço de medidas anteriores de proteção do clima e se manterem “à margem de novas normas globais para lutar contra a mudança climática”. “Nos perguntamos como (os líderes) poderão continuar olhando nos olhos de seus filhos e netos quando voltarem para casa”, ressalta a organização.
O Greenpeace lembra ainda que, na conferência de dois anos atrás, realizada em Copenhague, os políticos prometeram um fundo de US$ 100 bilhões para ajudar os países mais pobres a enfrentar a mudança climática, mas critica a falta de ação sobre a proposta. “Vieram a Durban dois anos depois apenas planejando desenhar uma maneira para recolher e distribuir o dinheiro. E acaba que nem sequer conseguiram fazer isso”, acrescenta a nota.
Apesar do pacto obtido na COP-17 para prorrogar o Protocolo de Kyoto – único acordo de caráter legalmente vinculante contra a mudança climática -, o Greenpeace alega que houve poucos avanços na cúpula. A organização menciona Estados Unidos, União Europeia, China e Índia como obstáculos para um acordo com nações menos desenvolvidas. “Nos decepcionaram e seu fracasso será medido com a vida dos pobres, os mais vulneráveis e menos responsáveis pela crise da mudança climática”. (Fonte: Portal Terra)