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sexta-feira, 11 de março de 2011

Gelo da Groenlândia e da Antártida é o que mais eleva mares


O derretimento dos mantos de gelo da Antártida e da Groenlândia já é o maior responsável pela elevação global do nível do mar e pode levar os oceanos a uma subida de um metro em 2100.
A conclusão é de cientistas dos EUA e da Holanda, que fizeram a estimativa mais confiável até agora do degelo polar.
Segundo eles, nos últimos 18 anos, a perda de gelo nos polos – os dois maiores reservatórios de água doce da Terra – acelerou três vezes mais do que o das geleiras de montanha.
Em 2006, Groenlândia e Antártida perderam juntas 475 bilhões de toneladas de gelo, contra 402 bilhões em todas as montanhas da Terra somadas.
“Até hoje, as evidências apontavam para uma contribuição maior das geleiras das regiões tropicais e temperadas para o aumento do nível do mar”, afirma o glaciologista Jefferson Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
O estudo, publicado na última edição do periódico “Geophysical Research Letters”, dá um passo importante na resolução de um dos maiores problemas da ciência do aquecimento global, o da estimativa do aumento do nível dos oceanos.
Em seu relatório de 2007, o IPCC, o painel do clima das Nações Unidas, estimou em 59 cm a elevação máxima do mar em 2100. O número era mais baixo do que o próprio IPCC estimara em 2001.
Na época, vários cientistas discordaram da previsão. Um deles, o alemão Stefan Rahmstorf, publicou na mesma semana da divulgação dos dados do IPCC um estudo afirmando que os mares subiriam até 1,4 metro, devido principalmente à contribuição da Antártida e da Groenlândia.
O gordo e o magro – O problema é que é muito difícil prever o comportamento dos mantos de gelo polares. A Antártida, por exemplo, está “emagrecendo” a olhos vistos na sua porção oeste, mas “engordando” a leste. A Groenlândia tem geleiras que recuaram 20 km em quatro anos e outras que aumentaram.
Ainda neste ano, por exemplo, um estudo britânico mostrou que a aceleração do gelo da Groenlândia na direção do mar pode ter um ponto de saturação: a partir de um certo limiar, a água de degelo que causa o escorregão das geleiras pelo manto rochoso da ilha passa a escoar direto para o mar em vez de causar mais degelo.
“O IPCC relutou em incluir os dados sobre a aceleração do gelo porque não tinha modelos confiáveis. Alguns de nós discordamos disso. Outros acharam que o IPCC tinha mesmo de ser conservador”, disse à Folha Eric Rignot, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa.
Rignot é autor do novo estudo, juntamente com Isabella Velicogna, também da Nasa, e três outros cientistas. Para tentar atacar o problema, eles juntaram pela primeira vez duas séries de dados sobre o gelo polar que nunca “conversaram” entre si: as estimativas de balanço de massa (quanto as geleiras ganham por precipitação de neve menos o que perdem por degelo) e as observações do satélite Grace, que mede variações no campo gravitacional (quanto menos massa, menos gravidade).
“Ninguém havia gasto tanto tempo e esforço para comparar os dois quanto nós”, disse Rignot, cujo grupo analisou 20 anos de dados mensais sobre o gelo.
A conclusão dos cientistas é que ambas as séries de dados apontam na mesma direção: não só os dois mantos estão ficando anoréxicos, como emagrecem a uma velocidade cada vez maior nos últimos 18 anos.
Essa dieta forçada pode levar a um aumento global do nível do mar de 15 cm só por causa dos mantos polares em 2050.
“Em 2100, se nada for feito, poderia haver uma elevação de um metro. Não parece assustador, mas depende de onde você vive”, afirmou Rignot, lembrando que a distribuição dessa elevação média não é uniforme em todo o planeta – alguns lugares podem alagar mais, outros menos.
Existe, ainda, uma possibilidade de colapso dos mantos de gelo da Groenlândia e do oeste da Antártida. Isso poderia elevar o nível dos oceanos em 12 metros.
Rignot diz, porém, que é impossível estimar se isso poderia acontecer, ou quando. “E, infelizmente, esta é a maior parte do iceberg.” (Fonte: Claudio Angelo/ Folha.com)

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