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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ONU diz que é preciso adotar nova economia para salvar o planeta


Um grupo especialistas e políticos de alto nível formado pela Organização das Nações Unidas (ONU) ressaltou nesta segunda-feira (30) a urgência de adotar novas vias de desenvolvimento para salvar o mundo de uma crise econômica até mais grave que a vivida atualmente e para assegurar sua sustentabilidade.

O Painel sobre Sustentabilidade Global, formado por 22 membros e que foi estabelecido pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em agosto de 2010, apresentou seu primeiro relatório, que contém 56 recomendações para realizar uma mudança no modelo econômico atual.

O documento pretende ser uma das principais ferramentas de trabalho na Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, que será realizada no Rio de Janeiro, de 20 a 22 de junho.

Nova economia – Com o título “Pessoas resilientes, planeta resiliente: um futuro que vale escolher”, o relatório aponta um roteiro que ajudará aos governos, o setor privado e outros atores a atingir o desenvolvimento sustentável.

Além disso, ressalta a importância de outorgar mais poder à mulher e assegurar que ela desempenha um papel importante para alcançar um sistema sustentável.

O texto sugere um novo desenho da economia mundial e apresenta um maior comprometimento com o equilíbrio sustentável da Terra. Segundo o documento, antes de 2030, o mundo deveria dobrar sua produtividade, porém, reduzindo o consumo de recursos naturais. (Fonte: G1)

Mapa da biodiversidade dos Andes Orientais aponta perigos



A riqueza das espécies vertebradas endêmicas, combinando mamíferos, aves e anfíbios em uma perspectiva tridimensional. O mapa mostra o ponto de vista do nordeste do Peru voltado para o sul, através da bacia Amazônica, em direção ao sul peruano e norte boliviano dos Andes. Fonte: artigo original


Manaus, AM -- No leste do Peru e norte da Bolívia está uma das região mais ricas em biodiversidades do mundo, com centenas de espécies endêmicas e ecossistemas únicos, que não existem em nenhum outro lugar do mundo. Estudo que acaba de ser publicado na revista de acesso livre BMC Ecology demonstra que, nesta zona, onde os Andes e a Bacia Amazônica se sobrepõem, estes ambientes singulares precisam de mais proteção.

Mais de 7 mil registros de localizações individuais de espécies endêmicas de 115 aves, 55 mamíferos, 177 anfíbios e 435 plantas foram combinados com dados climáticos e de topografia, para elaboração de mapas de distribuição de espécies com detalhamento de 1 Km2.

Segundo o artigo Endemismo de plantas e animais na encosta leste dos Andes: Desafios para a conservação, 226 espécies endêmicas não contam com nenhuma proteção dos governos dos dois países e cerca de metade dos ecossistemas têm apenas 10% ou menos da extensão protegidos. Estão protegidos apenas 20% das áreas com grande número de espécies endêmicas e 20% das que contêm ecossistemas exclusivos da região.

Foram analisadas desde as áreas úmidas da savana do Rio Beni e a Várzea de Iquitos até os vales interandinos e os bosques montanhosos frios e úmidos ao longo da vertente oriental dos Andes.

A maior concentração de espécies endêmicas de aves e mamíferos está ao longo em uma faixa que fica entre 2.500 e 3.000 metros de altitude, ao longo da cordilheira. Já as espécies endêmicas de anfíbios se encontram entre 1.000 e 1.500 metros de altitude. Uma das áreas únicas, com maior número de espécies de aves e mamíferos se encontra em uma região sem proteção ao redor de Macchu Picchu, Patrimônio da Humanidade (Cordillera de Vilcabamba, Peru).

“A diversidade biológica nos Andes está sob ameaça pela exploração petrolífera e de ouro, projetos de infraestrutura, cultivos ilícitos e diversas outras atividades”, afirma a doutora Jennifer Swenson, da Universidade Duke, que dirigiu a pesquisa. “Há evidência de espécies que estão migrando a regiões mais altas devido às mudanças climáticas nesta região. A conservação ao longo dos Andes necessita de uma revisão urgente e esperamos que nossos dados sejam uma contribuição para proteger esta região incrível e única”, completa.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Caatinga ocupa 10% do território e é único bioma exclusivamente brasileiro


A Amazônia, o Cerrado, o Pantanal, a Mata Atlântica e os Pampas não são só brasileiros, mas há um importante bioma que é só nosso, que não existe nos países vizinhos. É a caatinga, o principal bioma do sertão nordestino.

O Globo Rural percorreu milhares de quilômetros para contar a história desse lugar que conserva tesouros naturais incríveis. Na medida em que entendemos um pouco do que é a caatinga, nós conseguimos desvendar até mesmo certos mistérios da evolução do nosso planeta.

Mata branca ou na linguagem dos índios tupis, caatinga. Esse é o único bioma exclusivamente brasileiro. Lugar onde as chuvas são poucas e concentradas em quatro, cinco meses do ano. Durante todo o período seco, as plantas da caatinga ficam praticamente sem folhas. Uma floresta de galhos retorcidos, espinhos, aparentemente pobre em biodiversidade.

Logo depois das primeiras chuvas, com pouca água, as plantas que pareciam mortas, renascem e a gente consegue enxergar a riqueza e a diversidade de espécies que compõem a caatinga.

Para conhecer melhor esse bioma, o Globo Rural visitou o semiárido nordestino em duas épocas bem distintas: o período seco, entre outubro e novembro de 2010; e a estação das chuvas, no começo de 2011. Quatro estados foram percorridos: Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Na primeira parada, começamos a entender como essa região se formou. Para isso, o programa chegou a Crato, no sul do Ceará. A Chapada do Araripe é uma formação que ocupa parte dos estados do Ceará, Piauí, Pernambuco e Paraíba. Há milhões de anos esse lugar guarda um tesouro geológico: uma incomparável quantidade de fósseis, que são restos de animais e vegetais incrustados nas rochas. Para conservá-los, em 2006 foi criado o primeiro Geopark das Américas, dirigido pelo biólogo Álamo Saraiva: “Geopark é um programa da Unesco, que tem como objetivo principal a preservação de áreas de interesse geológico”.

Essa história começou há mais de 100 milhões de anos, quando África e América formavam um único continente. A separação aconteceu por causa da movimentação de porções da crosta terrestre, as chamadas placas tectônicas.

Na divisão dos territórios, houve um rebaixamento dessa área e grandes lagos se formaram. Mais tarde, houve o o levantamento desses lagos. O sedimento que estava no fundo aflorou, dando origem à chamada bacia sedimentar do Araripe.

“Como o período era também chamado de aquecimento global esse lado estava secando”, diz o doutor Idalécio Freitas. Ele é geólogo do parque e explica que esse paredão conserva os registros dos períodos de chuva e de seca, dos últimos 110 milhões de anos. “Esse níveis mais escuros que vemos no calcário são relativos ao período mais úmido, com um pouco de matéria orgânica. Os riscos mais claros, períodos mais secos, de pouca chuva”.

A caatinga é a principal formação vegetal do semiárido nordestino e ocupa 10% do território brasileiro. São mais de mais de 840 mil km² , espalhados por dez estados. Nessa região, a estação das águas é concentrada em apenas três ou quatro meses, por isso as plantas criaram mecanismos para resistir a longos períodos de estiagem. Confira no vídeo o mecanismo dessas plantas. (Fonte: G1)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

EUA anunciam novas regras para gerir florestas nacionais


O secretário da agricultura dos Estados Unidos, Tom Vilsack, anunciou nesta quinta-feira (26) novas regras para gerir cerca de 200 milhões de hectares de florestas nacionais. Elas entram em vigor no início de março e irão proteger bacias hidrográficas e animais selvagens, permitindo usos que vão desde a recreação até a exploração madeireira, segundo a administração Obama.

A regra atual de planejamento florestal é de 1982. Diversas tentativas de revisá-la foram negadas pelos tribunais federais na última década. Mais recentemente, um novo plano do governo Bush foi derrubado em 2009, acusado por ambientalistas de retirar importantes proteções florestais.

Vilsack disse que as novas regras refletem mais de 300 mil comentários recebidos após o lançamento de um rascunho do projeto, no ano passado. Elas reforçam a exigência de que as decisões sejam baseadas em conhecimento científico e permite que as florestas sejam usadas para uma variedade de propósitos, segundo Vilsack.

“Eu acho que esta é uma regra sólida e feita de forma colaborativa, aberta e transparente”, afirmou.

As diretrizes irão incentivar a recuperação de florestas e a proteção de bacias hidrográficas, criando oportunidades para a indústria madeireira e para recreação, considerou o secretário.

Vilsack, que se comprometeu a romper o impasse político sobre a gestão florestal, disse que a ênfase do novo regulamento no conhecimento científico e nos usos múltiplos das florestas deve permitir que ele enfrente possíveis processos judiciais de grupos ambientais ou da indústria da madeira.

“Tenho esperança e confiança de que o regulamento irá passar pelo escrutínio público”, disse ele.

Medidas – O chefe do Serviço Florestal, Tom Tidwell, disse que as novas diretrizes vão permitir que planos de manejo de florestas sejam concluídos mais rápido e a um custo menor.

O novo regulamento também deve dar mais flexibilidade para gestores florestais enfrentarem problemas locais, como incêndio, avaliou Tidwell.

“Nós vamos ser capazes de trabalhar mais – obter mais da floresta e criar mais empregos” e, ao mesmo tempo permitir maior uso das florestas para lazer, disse. O uso recreativo da floresta tem visto elevado crescimento nos últimos anos.

Como Vilsack, Tidwell falou que está otimista de que o novo plano vai resistir ao escrutínio de grupos ambientalistas e da indústria madeireira. Ambos setores entraram com ações contra as versões anteriores do plano.

As 155 florestas nacionais e pastos gerido pelo Serviço Florestal tem 193 milhões de hectares e estão distribuídos por 42 estados americanos, além de Porto Rico. Tem sido difícil de encontrar um equilíbrio entre a indústria e a conservação nessas áreas.

“Diante de ameaças sem precedentes impostas pelo desenvolvimento industrial, essas florestas nacionais precisam de proteções nacionais mais fortes”, disse Jane Danowitz, diretora de terras públicas do grupo Pew Environment. Segundo ela, as novas regras parecem refletir as opiniões de cientistas, da comunidade empresarial e de ativistas ambientais.

“O plano tem salvaguardas mais fortes do que aquilo que foi proposto anteriormente. O verdadeiro teste, no entanto, será se ele vai funcionar na prática”, disse Danowitz. (Fonte: Globo Natureza)

Anulada licença para mineração de zinco da Votorantim em MG

Duda Menegassi
26 de Janeiro de 2012



Mapa do estado de Minas Gerais, em destaque, a área do município de Vazante. Fonte: Wikipédia

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) obteve a anulação da Licença Prévia (LP) que havia sido concedida, pelo Conselho de Política Ambiental (Copam) - órgão mineiro - ao “Projeto Extremo Norte”, da Votorantim Metais Zinco. O projeto, no município de Vazante, noroeste de Minas Gerais, pretende lavrar cerca de 5,5 milhões de toneladas de zinco até 2024. O Ministério Público de Minas Gerais declarou que havia irregularidades no processo de licenciamento ambiental - que poderiam comprometer a fauna e até o patrimônio espeleológico da região - e, por isso, propôs a anulação da Licença Prévia.

Em março de 2011, a juíza Mônika Alves já havia suspendido a Licença Prévia, mas só agora ela foi de fato anulada. A juíza alegou que esta é uma medida que segue os princípios de preservação e precaução, que visa reduzir os impactos ambientais e proteger a população local. Segundo o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), o rebaixamento do lençol freático pode acarretar graves danos ao meio ambiente.

Na sentença, a juíza escreveu: “diligências precisariam ser realizadas antes da concessão da Licença Prévia, pois imprescindível a manifestação prévia do IBAMA, do IPHAN e do DNPM, em virtude da existência de cavernas e depósitos fossilíficos no local, consoante o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) realizado. (...) o EIA afirmou que os estudos já realizados não apresentam dados que demonstrem a confiabilidade do rebaixamento. Tais estudos servirão, também, para apontar o risco de ressecamento de córregos e o impacto à bacia hidrográfica.”

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Crise econômica, Código Florestal e Rio+20 marcam os protestos da marcha de abertura do Fórum Social Temático


O calor de 35 graus Celsius e um temporal não desanimaram os ativistas que participaram nesta terça-feira (24) da marcha de abertura do Fórum Social Temático (FST) pelas ruas de Porto Alegre. Com a chuva, o trânsito ficou caótico na capital gaúcha, desde as proximidades da Avenida Borges de Medeiros, na região central, até a Usina do Gasômetro, onde terminou a passeata por volta das 20h.

Com público eclético, a marcha refletiu a diversidade dos debates que vão acontecer ao longo da semana, focados principalmente na crise econômica internacional e na preparação para a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, marcada para junho.

Entre sindicalistas, estudantes, movimentos sociais, aposentados, feministas, um grupo de ativistas da comunidade alternativa Aldeia da Paz chamava a atenção com cartazes que traziam frases pacifistas e lemas como “Só o amor transforma”.

Logo na abertura do cortejo, ambientalistas declaravam a morte das florestas brasileiras por causa das mudanças no Código Florestal. Caixões com mudas de plantas foram levados pelo grupo durante o trajeto. O diretor de Políticas Públicas da organização não governamental SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, disse que, diante da aprovação do texto pelo Congresso Nacional, a sociedade civil não pode se calar e deve cobrar o veto da presidenta Dilma Rousseff.

“Cada vez agregamos mais segmentos nessa briga, outros movimentos sociais, inclusive os trabalhadores da agricultura familiar. Chega de hipocrisia, vamos denunciar toda essa chantagem que vem sendo feita pelos ruralistas contra o governo e contra a sociedade”, disse.

A marcha seguiu pelas ruas da capital gaúcha ao som de música tão eclética quanto o público. A seleção musical ia desde o fandango gaúcho a um samba-enredo dos trabalhadores puxado por uma central sindical. Na metade do percurso, um temporal surpreendeu os ativistas, mas a maioria manteve a mobilização e completou o percurso até as margens do Rio Guaíba.

Vestidas de lilás e com faixas pedindo a descriminalização do aborto, um grupo de militantes da Marcha Mundial das Mulheres se destacava na romaria. Além de causas tradicionais do movimento feminista, a ativista Cláudia Prates disse que é preciso levantar outras bandeiras de defesa das mulheres.

“Temos que estar presentes, porque a que a crise afeta primeiro as mulheres e não fomos nós que criamos a crise. Na Rio+20, por exemplo, queremos discutir o debate da terra, da crise climática que se estabelece e empobrece cada vez mais as mulheres. São as mulheres que mais passam sede, que passam fome no mundo, por isso estamos aqui”.

A marcha também foi espaço para a crítica e oposição ao governo, como o grupo do PSTU que levava uma grande bandeira com palavras de ordem contra o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e a presidenta Dilma Rousseff.

A desocupação, considerada pelos movimentos sociais violenta, da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), também foi lembrada pelos manifestantes na abertura do FST. O militante do PSTU, Manoel Fernandes, ajudava a carregar uma imensa faixa de solidariedade aos moradores expulsos. Adesivos com o slogan “Somos todos Pinheirinho” também fizeram sucesso entre os caminhantes. “A luta do Pinheirinho é uma luta da classe trabalhadora. É preciso ter repercussão nacional. Foram cometidos crimes contra o povo pobre que não tem onde morar. Queremos chamar a atenção para o quanto é difícil morar no Brasil”, argumentou.

Professores gaúchos caminharam vestidos de preto, em protesto contra a política salarial do governo do estado. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, que se juntou à passeata em alguns trechos, disse que a manifestação dos docentes é corporativista, mas que faz parte da democracia.

A marcha abriu oficialmente a programação do FST, que, até domingo (29), deve reunir cerca de 30 mil pessoas em quase mil atividades em Porto Alegre e em mais três cidades da região metropolitana da capital gaúcha. (Fonte: Luana Lourenço/ Agência Brasil)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Descoberta torna vírus mais letal


Uma modificação feita por cientistas no vírus da gripe aviária tem gerado polêmica no mundo científico. Dois laboratórios, da Holanda e dos Estados Unidos, criaram um vírus mutante do H5N1 e o tornaram transmissível entre humanos. A novidade acendeu o debate so­­bre biossegurança, já que, em mãos erradas, a descoberta pode se tornar uma arma biológica capaz de provocar pandemias letais.

Com medo de que a informação comprometa a segurança pública e caia nas mãos de terroristas, o governo americano solicitou às duas revistas mais prestigiadas na área científica – a americana Science e a britânica Nature – que não divulguem o estudo na íntegra. As publicações anunciaram que estão avaliando o pedido, mas destacaram a preocupação em censurar informações importantes para os estudiosos da gripe.
Benefícios

O H5N1 já provocou surtos em toda Ásia e alguns países da Eu­­ropa. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o H5N1 infectou até agora 570 pessoas no mundo (nenhum caso no Brasil) e matou 331 – uma taxa de mortalidade de quase 60%.

Por enquanto, o vírus que circula é transmitido apenas entre as aves e delas para seres humanos, sem poder de contágio de uma pessoa para outra.

Com a modificação recém-criada, no entanto, o vírus passa a ser transmissível pelo ar, como um vírus da gripe comum, o que o torna extremamente contagioso para os humanos. “Esse vírus modificado está dentro de dois laboratórios e de lá pode escapar acidentalmente ou acabar caindo em mãos que não estão interessadas na parte de pesquisa”, explica a virologista Ma­­rilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Outro risco em divulgar detalhes do estudo é que, segundo ela, com as informações da mutação gênica do H5N1, outros laboratórios podem desenvolvê-lo, aumentando as chances de se perder o controle sobre ele. (Fonte: Gazeta do Povo/PR)

Piscina de água doce se expande no Ártico, diz pesquisa


Uma enorme piscina de água doce no Oceano Ártico está se expandindo e pode baixar a temperatura da Europa, ao diminuir a velocidade da corrente oceânica, disseram cientistas britânicos neste no domingo.

Usando satélites para medir a altura da superfície do mar de 1995 a 2010, cientistas do University College of London e do National Oceanography Centre descobriram que a superfície oeste do Ártico subiu cerca de 15 centímetros desde 2002. O volume de água doce aumentou em pelo menos 8.000 quilômetros cúbicos, ou cerca de 10% de toda a água doce do Oceano Ártico.

O aumento pode ser devido aos fortes ventos do Ártico que fazem com que uma corrente oceânica chamada Giro Beaufort aumente, fazendo o nível do mar se elevar.

O Giro Beaufort é uma das correntes oceânicas menos compreendidas do planeta. Alguns cientistas acreditam que os ritmos naturais do Giro podem ser afetados pelo aquecimento global e isso pode trazer graves complicações para a circulação do oceano e no aumento dos níveis do mar.

Modelos climáticos sugerem que o vento soprando na superfície do mar formou uma cúpula no meio do Giro Beaufort, mas existem poucos estudos para confirmar isso.

De acordo com a pesquisa, se o vento mudar de direção, o que aconteceu entre meados da década de 1980 e meados da seguinte, a piscina de água doce poderá vazar para o resto do Oceano Ártico e até mesmo para o norte do Atlântico.

Isso poderá esfriar a Europa ao diminuir uma corrente oceânica vinda da Corrente do Golfo, que mantém o clima da Europa relativamente moderado, comparado a países com latitudes semelhantes.

“Nossas descobertas sugerem que uma inversão do vento poderá resultar na liberação dessa água doce para o resto do Oceano Ártico e além”, disse a principal autora do estudo publicado no Nature Geoscience Journal, Katharine Giles. (Fonte: Portal iG)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Belo Monte: começam primeiras obras de represamento


Karina Miotto em o eco notícia


Depois dos primeiros estudos feitos na década de 70 e de longas batalhas judiciais, o Brasil começa a ver sair do papel, em um momento que pode ser classificado como histórico, as primeiras obras que viabilizarão a hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu. Neste domingo, 15, a equipe do Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVPS) registrou a construção de uma ensecadeira, espécie de barragem provisória que desvia o curso d´água para permitir atividades de construção civil no leito do rio. A barragem definitiva terá 6,8 km de extensão. A obra teria começado logo após o ano novo e está localizada no Sítio Pimental, a cerca de 40 km a jusante de Altamira, no Pará. Conforme informações da Norte Energia, "neste sítio fica o conjunto de obras que efetivamente barra o rio Xingu".

Juízes votam a favor de Belo Monte e construção continua

De acordo com o Ministério Público Federal do Pará (MPF/PA) os impactos desta construção têm sido sentidos por etnias indígenas. Hoje, 17, o MPF/PA recebeu uma carta dos Arara, que vivem na Terra Indígena Arara da Volta Grande do Xingu, pedindo providências em relação às intervenções devido à quantidade de terra e cascalho jogados no rio. Eles afirmam que estão ingerindo o líquido, já barrento, e que não possuem poços artesianos. Pedem que providências sejam tomadas em sua defesa e da Terra Indígena Paquiçamba, onde vivem os Juruna. 

"Queremos garantir a regularidade destas ensecadeiras, já que as condicionantes permanecem sem cumprimento. Vamos questionar o Ibama, a Norte Energia e a Funai a respeito das mesmas, pois a água do Xingu já tem afetado indígenas", afirma Helena Palmquist, assessora de imprensa do MPF/PA. "Queremos que o Ibama e a Agência Nacional de Águas façam uma vistoria urgente no local das obras e na qualidade da água que está chegando nas aldeias, assim como informem quais medidas estão sendo tomadas para garantir água potável a estas pessoas", diz.

Em um comunicado oficial, a Norte Energia afirma que “devido às características da região, com chuvas constantes nesta época do ano, é natural que uma pequena parte da terra seja carreada pelo rio. Isto será eliminado, nos próximos dias, com a conclusão da ensecadeira”. A empresa não se manifestou a respeito de medidas para minimizar o impacto causado sobre populações indígenas.

Veja fotos que retratam a construção da primeira ensecadeira no Sítio Pimental. Crédito: João Zinclar | Clique para ampliar.

Chuvas fizeram 16 mortos em Minas Gerais e 179 áreas enfrentam problemas como deslizamentos e inundações


A Coordenadoria de Defesa Civil confirmou mais uma morte aumentando para 16 o número de óbitos no estado em decorrência das chuvas que causam danos em todo o estado. Mais cinco municípios decretaram estado de emergência, totalizando 179 áreas que enfrentam problemas com alagamentos, inundações e deslizamentos de terra. Desde o início do período chuvoso, no final do ano passado, estima-se que haja cerca de 3 milhões de vítimas em Minas Gerais.

De acordo com o boletim divulgado nesta quarta-feira (18) pela Defesa Civil de Minas Gerais, pelo menos 73 municípios foram atingidos por efeitos adversos e encaminharam a notificação preliminar de desastre (Nopred), mas ainda não decretaram situação de emergência.

Os municípios mineiros de Araçuaí, Carandaí, Igarapé, Pirapora e Pedras de Maria da Cruz integram a lista atualizada de regiões que pediram auxílio financeiro ao governo federal. Até agora, 54.826 pessoas estão desalojadas e 4.733 estão desabrigadas em todo o estado.

O Ministério da Integração Nacional publicou hoje, no Diário Oficial da União, portarias que autorizam o repasse de recursos de cerca de R$ 25 milhões para a execução de obras de reconstrução e recuperação no estado.

A Diretoria de Controle de Emergências da Defesa Civil de Minas Gerais informou que, para um município ser definido como estando em situação de emergência, é necessário que a autoridade responsável encaminhe a notificação de desastre e um relatório com fotografias das áreas atingidas, o decreto assinado pelo prefeito, o formulário de avaliação de danos, um croqui e uma Declaração Municipal de Atuação Emergencial (Dmate).

De acordo com a Defesa Civil, inicialmente, a previsão é de necessidade de construção imediata de 650 casas populares para as famílias afetadas no estado. (Fonte: Agência Brasil)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Energia Eólica: ‘Pré-sal’ do Sertão


Um grupo de investidores paranaenses encontrou no sertão da Bahia o que classifica de “Pré-sal do Sertão”. Mas, ao contrário das reservas marítimas de petróleo, localizadas a mais de 5 mil metros de profundidade, o potencial energético daquela região está no ar – ou melhor, no vento que sopra forte em uma área até então inexplorada pelos investidores do setor de energia.

A reportagem é de Alexandre Costa Nascimento e publicado pela Gazeta do Povo, 15-01-2012.

A Empresa Paranaense de Energia (EPP), holding formada por empresários com atuação em diversos setores, está desbravando novos territórios e já tem três projetos de geração eólica no interior da Bahia. A carteira de investimentos na região passa de R$ 6 bilhões e tem um potencial de geração de 1,7 mil megawatts (MW), equivalente à da usina de Foz do Areia, segunda maior hidrelétrica do Paraná, menor apenas que Itaipu.

“Fomos do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte em busca de locais para investimento. Na costa do Nordeste, enfrentamos uma forte especulação imobiliária. Na Bahia, encontramos uma nova fronteira, com condições técnicas favoráveis e uma velocidade média do vento de 10 metros por segundo, cerca de 30% acima do que é considerado ideal”, conta o diretor executivo da EPP, Luiz Fernando Cordeiro.

A companhia comprou cerca de 40 mil hectares de terras em três regiões da Bahia. Esses investimentos devem ajudar a mudar o perfil local, diz o executivo. “São áreas sem vocações econômicas, com pequenos municípios extremamente dependentes de repasses de programas federais. Algumas cidades nem sequer têm água potável. A cidade de Gentio do Ouro, antiga área de garimpo, poderá prosperar com a mina de ventos.”

A viabilização dos projetos da EPP tem como base os contratos de venda dessa energia no mercado livre (no qual o contrato é firmado diretamente com o consumidor industrial) ou nos leilões do governo federal – haverá pelo menos um neste ano, para negociar a energia que será gerada nos empreendimentos.

Segundo Cordeiro, 75% dos recursos devem vir do BNDES – que tem linhas específicas para incentivar a geração de energias renováveis – e o restante, dos sócios da EPP e outros parceiros. “Esse investimento é feito ao longo dos anos e se paga”, garante.

O objetivo do grupo é ser referência nacional no segmento de energia limpa e renovável em um horizonte de 20 a 30 anos. “Nosso plano não é vender projetos, é fornecer energia”, afirma o presidente do conselho de administração da EPP, João Elisio Ferraz de Campos, que governou o Paraná entre 1986 e 1987.

Ele diz que o pioneirismo do grupo pode encorajar o empresariado paranaense a ser mais ousado. “Montamos um grupo heterogêneo, com empresários de vários setores, como transportadora, concessionárias de rodovias, seguros. O Paraná está esquecido no plano nacional. O empresariado paranaense tem de se mobilizar e lutar para conquistar espaço. Queremos ser referência para que essa experiência se reproduza em outros setores.”

PCHs ficam na gaveta

Criada com foco no desenvolvimento de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), a EPP perdeu a chance de investir nesse tipo de projeto quando o vento era favorável. Mas a demora na liberação de licenças ambientais, a queda no custo da energia e o aumento no orçamento das obras impediram essas usinas de sair do papel. Na semana passada, uma de suas PCHs recebeu licença prévia do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), mas não há prazo para o início da construção.

Atualmente, o custo do megawatt instalado na construção de uma PCH é de R$ 7 milhões – exatamente o dobro do custo da geração eólica. Sem competitividade, os projetos de PCHs ficarão alguns anos guardados na gaveta esperando um cenário mais favorável. “A PCH se tornou um projeto economicamente inviável. Os geradores são caros e 70% do custo é de obra civil, que encareceu muito. Além disso, os locais com melhor potencial já foram explorados”, explica Odilon Camargo, sócio-diretor da empresa de engenharia Camargo Schubert.

Uma conjuntura que obrigou a EPP a rever seus planos. “Mudamos o nosso foco e buscamos participar dos leilões oferecendo o produto eólico”, diz Luiz Fernando Cordeiro, diretor executivo da companhia.

Para que as PCHs voltem a ser interessantes, o custo médio da energia – atualmente em torno de R$ 100 por megawatt-hora (MWh) – deve subir para, no mínimo, R$ 150. “Os projetos ficam na gaveta, mas prontos para serem retomados quando a conjuntura voltar a ser favorável”, garante Cordeiro.

Se por um lado as PCHs são caras, o Brasil tem hoje o custo de geração de energia eólica mais barato do mundo, de menos de R$ 100 por MWh, o que torna o investimento cada vez mais atraente – só a China cresce mais nesse ramo. “É tudo uma questão de competição. O investidor se interessa pelas fontes mais competitivas”, diz Camargo.



(Ecodebate, 17/01/2012) publicado pela IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

Minas Gerais vai receber monitoramento especial em áreas afetadas por alagamentos


A chuva intensa em Minas Gerais ainda causa estragos em várias regiões. Até o momento, 228 municípios contém áreas de risco de desabamentos e deslizamentos de encostas. A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec-MG) está mapeando as alterações ocorridas no solo devido ao grande volume de água.

A Defesa Civil de Minas Gerais informou que 20 municípios foram vistoriados no último domingo (15). As primeiras cidades que passaram por analises geológicas foram Ouro Preto, na região central, e Além Paraíba, na Zona da Mata. De acordo com o Cedec, a Secretaria Nacional de Defesa Civil enviou ao estado uma equipe de 14 geólogos especializados em prevenção a desastres naturais para monitorar as cidades que apresentam riscos de acidentes.

Até agora foram 15 mortes confirmadas e 168 feridos. Além disso, três pessoas continuam desaparecidas, 52.723 pessoas desalojadas e 4639 desabrigadas. Ainda de acordo com a Defesa Civil, 16.636 casas foram danificadas e 639 foram destruídas pela chuva. Além de 330 pontes destruídas e 459 edificações danificadas. Os números divulgados no boletim de segunda-feira (16) ainda são os mesmos do fim de semana. Os dados liberados pela Defesa Civil de Minas Gerais são a soma de todo o período de chuva no estado desde outubro.

Minas Gerais receberá recursos federais para remediar os estragos causados pelas chuvas. O dinheiro que será repassado ao estado terá o acompanhamento dos tribunais de Contas da União (TCU) e de Minas Gerais. O governo federal quer evitar erros nos contratos para o repasse das verbas para os municípios. O Tribunal de Contas de Minas Gerais vai trabalhar com gestores municipais que supervisionarão a formatação do pedido de verba para cada localidade atingida. (Fonte: Agência Brasil)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Funai confirma que há indícios de índios isolados próximos às usinas de Jirau e Santo Antônio no Rio Madeira


O grupo vive na terra indígena Katauixi/Jacareúba, entre os municípios de Lábrea e Canutama, no Amazonas, próximo à divisa com o estado de Rondônia
Morillo Carvalho

EcoDebate, 16/01/2012

BID cria fundo de investimento para beneficiar energias alternativas


O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou a criação de um fundo de investimento de US$ 30 milhões destinado a encorajar o setor privado a desenvolver tecnologias limpas e energias renováveis na América Latina e no Caribe.

Batizado de Fundo Latino-americano para Energias Alternativas II, o dinheiro poderá ser aplicado em projeto de energia eólica, solar e geotérmica, assim como na construção de pequenas hidrelétricas.

Empréstimos também poderão ser tomados por companhias de serviço ambiental que trabalham com a gestão de resíduos, biomassa, eficiência energética e projetos de redes inteligentes.

Segundo o BID, que criou o fundo com o objetivo de mitigar o impacto da mudança climática, até 2030 a demanda energética da América Latina e Caribe deve aumentar em 75% e a produção de eletricidade por fontes renováveis representará a metade desta demanda total.

Com previsão de aumento para US$ 150 milhões, destinados às iniciativas, o dinheiro será gerido pela companhia LLC, dos Estados Unidos, especializada em investimentos em infraestrutura com baixa emissão de carbono.

O BID afirma que o empréstimo seja complementado por aportes de investimentos que poderão incluir outras instituições financeiras internacionais e outras fontes de capital local e internacional. (Fonte: Globo Natureza)

sábado, 14 de janeiro de 2012

Caso Chevron: histórico de tragédias


Artigo de Ramiro Escobar em www.oecoamazonia.com.br

Os mais afetados. Indígena da etnia Cofán, comunidade de Dureno. Pelo menos outras três etnias equatorianas foram as mais afetadas pela contaminação petroleira, o que afetou drasticamente o seu acesso à água, caça e pesca. Seu modo de vida foi alterado substancialmente. Foto: Ernesto Benavides/OXFAM (www.supayfotos.com)


Na semana passada houve certa confusão em Taracoa, Lago Agrio, Coca, Dureno e outras cidades e comunidades das províncias amazônicas de Sucumbíos e Orellana, no Equador. Donald Moncayo, ativista que há anos tem mostrado os estragos da Chevron, deve ter se alegrado. Silvio Chapal, dirigente da etnia Cofán, também espera tempos mais felizes: a Corte Provincial de Sucumbíos, no Equador, ratificou a sentença que impõe uma indenização de quase U$ 20 bilhões à empresa petroleira pelos estragos que causou na floresta amazônica equatoriana.

O hoje qualificado como “processo ambiental do século” começou em 1993 em uma corte de Nova York, mas em 1994 chegou à Corte Provincial de Sucumbíos. Quase 17 anos depois, em 14 de fevereiro de 2011, este tribunal emitiu uma decisão devastadora: a empresa Chevron, que em 2001 comprou a Texaco, deveria pagar U$ 8.646 milhões por danos causados a pessoas e ecossistemas. Sobre a quantia somam-se 10% a favor dos atingidos e outro pela falta de pedido público de desculpas, o que eleva o valor total para U$ 18.064 milhões. O advogado Pablo Fajardo, que representa os afetados, já pensa em como começará a cobrar o valor em um processo que poderia durar entre dois e cinco anos.

James Craig, porta-voz da empresa, declarou à agência AFP que estão “analisando o tema”, embora ainda possam recorrer e levar a decisão à Corte Nacional de Justiça para que o processo seja revisado. Para Fajardo, esse recurso não impede a execução da sentença.

A Chevron já não está mais presente no Equador, mas seus bens poderiam ser congelados, assim como suas contas em outros países onde atua como Angola, Singapura, Venezuela ou no próprio Estados Unidos, local de origem da empresa. Mesmo que pareça incrível, a possibilidade de que isso aconteça fará com que o processo tenha mais idas e vindas tensas e difíceis.

Poços, piscinas, remédios



Rastros escuros: água misturada com petróleo ainda é encontrada em alguns lugares da selva amazônica equatoriana - é o que restou das piscinas resultantes da escavação de um poço petroleiro. Foto: Ernesto Benavides/OXFAM (www.supayfotos.com)


É preciso ter estado no lugar onde moram os afetados para entender porque se tem persistido neste processo. Ambas províncias equatorianas (Sucumbíos e Orellana) estão cheias de restos de piscinas escuras (abertas para depositar os restos da escavação petrolífera), de chaminés com fogo (para expulsar para o ar outros resíduos da exploração) e de centenas de tubos emaranhados e horríveis. Isto é visível perto do campo petrolífero Auca, onde ainda funcionam alguns poços com tubos que parecem competir para asfixiar a floresta amazônica. Esta corrida em busca de hidrocarbonetos começou na década de 60, quando as leis ambientais não eram nem sonhadas.

A Texaco começou a atuar na região em 1964 e esteve lá até 1990, quando entrou para operar a empresa estatal Petroecuador. De acordo com os atingidos, no entanto, teria permanecido até 1993 e no decorrer destes anos cavou 339 poços, cada um deixando atrás de si um rastro de piscinas sujas e contaminantes. Por isso muita gente tem vivido e crescido cercada de resíduos petrolíferos.

A Chevron, por sua vez, afirma que em 1995 chegou a um acordo com o governo de Sixto Durán Ballén (1992-1996), que a fez executar um “plano de remediação” onde fechou 33% das piscinas que, de acordo com a empresa, seriam de sua responsabilidade (tinham uma participação de um terço no consórcio que formava com a Petroecuador). A operação das mesmas teria sido concluída em 1998.

Os atingidos, no entanto, argumentam que “não existe nenhum documento que extinga as obrigações” e afirmam que, durante anos, a estratégia da Chevron consistiu em dilatar o processo. Enquanto isso, as denúncias por numerosos casos de câncer e outras doenças continuaram se proliferando e hoje são apresentadas como evidência de que os nefastos restos de petróleo destroçaram o ecossistema amazônico e também afetaram a saúde humana.



A prova nas mãos. Donald Moncayo, habitante da zona afetada, segura em suas mãos restos de petróleo encontrados no meio da floresta. Teriam sido deixados no local na década de 80 pela empresa Texaco, comprada pela Chevron. Foto: Ernesto Benavides/OXFAM (www.supayfotos.com)

Males no corpo e na floresta

É comum ouvir pela zona onde vivem os afetados histórias de má formação genética, doenças de pele, abortos e inúmeros casos de tumores. Ao mesmo tempo é difícil afirmar que todos os casos estão relacionados com a contaminação petrolífera. Se por um lado parece evidente, por outro o número de doentes com câncer tem aumentado na região, conforme declara o doutor Edgar Chamba, da Sociedade de Luta contra o Câncer (Solca). A Chevron sempre se defendeu afirmando que não existem reais evidências científicas sobre o tema e que, finalmente, existe uma forte presença bacteriana nos rios do oriente equatoriano.

Se chegarmos às aldeias indígenas, porém, testemunhos sobre a contaminação dos rios são numerosos. Na comunidade Cofán de Dureno (além dos Cofán, também foram afetados os Secoya, Kichwa, Achuar e Huaorani), os líderes afirmam que é cada vez mais necessário viajar para longe para poder pescar já que não existe, de jeito nenhum, a abundância de peixes que havia antes.

“A companhia jogou deliberadamente bilhões de litros de águas tóxicas nos rios e riachos, derramou outros milhões de petróleo bruto em resíduos perigosos ao ar livre. O resultado é a devastação geral do ecossistema da floresta, das comunidades indígenas locais e um dos piores desastres ambientais da história”, afirma a organização Amazon Watch, que acompanha o caso.

Fundos por processos?

“A caça também já falta”, observa Chapal, professor de uma das comunidades afetadas. Por isso agora focam no artesanato. Nos arredores as chaminés, tubos e até poços sem nenhuma proteção podem ser vistos perto das estradas como parte da lamentável paisagem que, apesar de tudo, ainda conserva sua força e beleza.

Em dezembro passado Mitch Anderson, membro da Amazon Watch, disse que a Chevron ofereceu uma grande soma de dinheiro à iniciativa Yasuní (que busca não explorar o petróleo que existe debaixo do parque nacional do mesmo nome, para assim mitigar o aquecimento global). O montante teria vindo motivado pelo arquivamento do processo contra a empresa. É só uma especulação, mas deixa um amargo sabor de como se brinca com a Amazônia.

Contra aquecimento, Nasa propõe meios para ‘esfriar’ a Terra


Uma ação abrangente para combater a emissão do gás metano e a poluição por fuligem reduziria o aquecimento global de 2,2ºC para 1,7ºC em 2050, indica um novo estudo liderado pela Nasa (agência espacial americana).

Quase todas as medidas necessárias para isso, dizem os cientistas, teriam seus custos compensados ao evitar gastos em saúde pública e na agricultura.

Segundo o trabalho, publicado na revista “Science”, se o planeta adotar 14 medidas contra essas substâncias (leia mais abaixo), combateria a mudança climática, evitaria mortes por doenças respiratórias e aumentaria a produtividade agrícola.

O documento inclui propostas que vão desde a substituição de fornos a carvão – grande fonte de poluição em países pobres – até o controle do vazamento de metano em poços de petróleo.

Combater a emissão desse gás, que também é subproduto da agropecuária, ajudaria os próprios produtores rurais, porque o metano estimula o surgimento de ozônio em baixas altitudes, prejudicando a respiração das plantas.

A produção mundial de alimentos teria um incremento de 30 milhões a 130 milhões de toneladas se o ozônio derivado da poluição fosse reduzido indiretamente por meio do combate ao metano.

“As colheitas seriam o fator do qual países como o Brasil mais se beneficiariam”, disse à Folha Drew Shindell, do Instituto Goddard, da Nasa, que liderou o trabalho.

“Em países como China e Índia, o principal benefício seria na saúde pública, porque o problema de poluição por fuligem é muito maior lá.”

Diplomacia - Segundo Shindell, como a maior parte dos países que tendem a se beneficiar são também grandes emissores de fuligem e metano, uma política eficaz não iria requerer um acordo internacional como aquele que o planeta está buscando contra o CO2 (dióxido de carbono), principal vilão do aquecimento global.

“No caso do combate a essas outras substâncias, temos mais chance de progresso se ele for implementado por ações locais”, diz o cientista.

“Iniciativas globais, porém, podem estimular ações locais, como o financiamento de bancos de desenvolvimento para alguns projetos.”

Mesmo não tendo potencial de aquecimento no longo prazo, a fuligem contribui para a mudança climática, sobretudo quando se acumula sobre a neve e o gelo em regiões frias. De cor escura, ela atrapalha a capacidade da água congelada de refletir radiação para fora da Terra.

Já o metano é o gás-estufa mais forte, apesar de não ser o mais abundante.

O combate a esses dois poluentes, porém, não serviria como compensação para o atraso do planeta em reduzir as emissões de carbono.

“Se adiarmos mais o acordo do clima, mesmo acabando com todo o metano e a fuligem, veríamos um enorme aumento no aquecimento, causado só pelo CO2, na segunda metade do século.”

Contra o metano

1. Estender técnicas que evitam o vazamento de gás em minas de carvão
2. Eliminar as perdas e queimar o gás que hoje escapa de poços de petróleo
3. Reduzir vazamentos em gasodutos
4. Separar o lixo biodegradável para reciclagem, compostagem e uso da biomassa
5. Aprimorar o tratamento de esgoto para capturar o metano que escapa das estações
6. Controlar emissões da pecuária usando um tratamento especial para o esterco
7. Arejar as plantações de arroz para reduzir as emissões em plataformas alagadas

Contra a fuligem

1. Substituir a frota de veículos muito antigos que emitem poluição demais
2. Instalar filtros especiais nos veículos a diesel
3. Banir a queima de resíduos de agricultura ao ar livre
4. Substituir fornos a lenha por fornos a gás ou combustíveis de queima limpa
5. Levar aos países pobres a tecnologia de fornos por queima de biogás
6. Substituir tijolos de barro por vigas verticais ou por tijolos de fornos mais eficientes
7. Substituir fornos a queima de coque (subproduto do carvão) por fornos mais eficientes
(Fonte: Rafael Garcia/Folha.com)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Redução de metano e fuligem frearia aquecimento global, diz estudo


Reduzir as emissões de metano e a fuligem na atmosfera, além do dióxido de carbono (CO2), permitiria deter mais rapidamente o aquecimento global, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (12) nos Estados Unidos.

Esta medida também poderia evitar milhões de mortes anuais provocadas pela contaminação do ar, à qual contribuem em grande medida as milhões de toneladas de metano e fuligem liberadas anualmente na atmosfera pela indústria petroleira e petroquímica.

Além disso, segundo os autores deste estudo internacional, a redução destes contaminantes na atmosfera poderia melhorar a produtividade de certos cultivos, especialmente nos países em desenvolvimento.

Os benefícios econômicos resultantes das emissões de metano e fuligem compensariam amplamente os custos associados ao desenvolvimento de medidas para obter esta redução, destacaram os autores do estudo, publicado na edição de sexta da revista “Science”.

Reduzir a concentração de CO2, o principal gás causador do efeito estufa, responsável por 50% do fenômeno, continua sendo crucial para ajudar a reduzir o aquecimento global resultante das atividades humanas desde o começo da revolução industrial.

Mas visto que o dióxido de carbono permanece durante muito tempo na atmosfera, levará décadas reduzir seu volume antes de reverter o atual processo de aquecimento global.

O metano e a fuligem, ao contrário, desaparecem mais rapidamente da atmosfera, disse Drew Shindell, climatologista da Nasa e autor principal do estudo.

O metano e a fuligem contribuem com 30% e 20% ao aquecimento global.

O modelo informático usado no estudo mostra que 14 medidas, a maioria de baixo custo, como instalar um filtro de partículas nos motores a diesel, reduziriam em 0,5 grau Celsius o aquecimento esperado para 2050. (Fonte: G1)

Em Minas Gerais, Defesa Civil diz não saber número exato de desalojados no estado


O número de cidades mineiras que decretaram situação de emergência em função das chuvas não para de crescer. Nesta quinta-feira (12), a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil acrescentou mais dez municípios à lista dos que já estavam nesta condição, elevando para 137 o total.

São elas, São Brás do Suaçuí, Augusto de Lima, Ijaci, São Miguel do Anta, Pedra do Anta, Senhora de Oliveira, Simão Pereira, Januária, Antonio Prado de Minas e Dom Cavati. Mais 55 cidades foram afetadas por problemas decorrentes das chuvas (inclusive de granizo), como deslizamentos, enchentes e enxurradas.

Segundo o boletim divulgado pela Defesa Civil estadual esta manhã, o número de pessoas que em algum momento tiveram que deixar suas casas também aumentou em relação aos dados divulgados na quarta-feira (11). Mas o superintendente operacional do órgão, major Edylan Arruda, explicou à Agência Brasil que os dados sobre desabrigados ou desalojados divulgados diariamente pela coordenadoria não dão conta da situação do momento, pois são o resultado da soma de todas as ocorrências registradas desde outubro do ano passado e mudam a todo instante.

“Hoje nós não sabemos o número exato de desabrigados ou desalojados no estado. Não por desorganização, mas porque a Defesa Civil estadual não tem como acompanhar isso diariamente, já que é uma situação que muda a todo instante. O número [que é divulgado], na verdade, é o resultado da soma de pessoas que, desde o início do período de chuva, em algum momento estiveram na situação [de desabrigado ou desalojado]. Não significa que três mil pessoas continuem desabrigadas, pois muitas delas já retornaram a suas residências”, explicou.

Em seu último boletim, a Defesa Civil estadual contabiliza 46.970 mil pessoas desalojadas desde outubro. Na quarta-feira, a soma chegava a 25.514. “As informações são fornecidas pelas prefeituras e demoram a chegar. Quando nós as somamos e divulgamos, a situação já é outra”, disse Arruda. A estimativa é que mais de 2.905 milhões de pessoas tenham sido afetadas pelas chuvas dos últimos meses no estado.

Além de 15 mortes confirmadas, as autoridades estaduais ainda procuram pelo corpo de Diego Tuler Vieira, de 28 anos. Morador de Ponte Nova, o rapaz se agarrou a um poste ao perder o equilíbrio enquanto atravessava uma ponte. Testemunhas relataram que ele foi atingido por uma descarga elétrica antes de cair no rio e ser arrastado pela enxurrada. Três mulheres também continuam desaparecidas.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o tempo continuará instável em parte do estado por causa das áreas de instabilidade que cobrem as regiões Sudeste e Centro-Oeste do país. A tendência, contudo, é de que o volume de chuvas diminua nas regiões mineiras e a temperatura se eleve, embora chuvas fortes possam ocorrer em pontos isolados do sul e Triângulo Mineiro. (Fonte: Alex Rodrigues/ Agência Brasil)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Cientistas adiantam relógio do fim do mundo


A incerteza gerada pela ameaça de proliferação nuclear e pelo aquecimento global fez o Boletim de Cientistas Atômicos adiantar em um minuto o relógio do Apocalipse, informaram na terça-feira (11) especialistas internacionais.

O simbólico Relógio do Apocalipse “aponta agora cinco minutos para a meia-noite (quando ocorrerá o cataclisma nuclear)”, declarou Allison Macfarlan, presidente da associação da Universidade de Chicago que em 1947 criou o sistema para ilustrar o risco da corrida atômica.

Em janeiro de 2010, o Boletim de Cientistas Atômicos, que tem entre seus membros 18 prêmios Nobel, atrasou o relógio em um minuto diante de um “estado do mundo mais promissor”, deixando o marcador a seis minutos da meia-noite.

“Há dois anos, parecia que os dirigentes do mundo poderiam enfrentar as ameaças globais, mas esta tendência não se manteve e, inclusive, se inverteu”, constatou Allison Macfarlan, professora da Universidade George-Mason, na Virgínia.

Lawrence Krauss, presidente da associação e professor de física da Universidade do Arizona, disse que o relógio foi adiantado devido “aos perigos claros e iminentes de proliferação nuclear e mudança climática, assim como diante da necessidade de se encontrar fontes de energia seguras e duráveis”.

Para o cientista, “o maior desafio à sobrevivência da humanidade no século 21 é satisfazer as necessidades energéticas para o crescimento econômico dos países em desenvolvimento e industrializados sem prejudicar ainda mais o clima e sem alimentar a proliferação nuclear”.

Kenneth Benedict, diretor-geral do Boletim de Cientistas Atômicos, foi mais otimista e garantiu que a associação está entusiasmada com a “primavera árabe, os movimentos ‘Ocupem’ e a contestação política na Rússia”.

“O poder do povo é essencial para se enfrentar os desafios da energia nuclear, resolver os males do aquecimento global e evitar um conflito nuclear em um mundo instável”. Desde que foi criado, em 1947, o Relógio do Apocalipse já foi ajustado 19 vezes. (Fonte: G1)

Rio+20 divulga primeiro rascunho de texto-base da conferência


A Organização da Rio+20, cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) que vai debater o desenvolvimento sustentável, divulgou nesta quarta-feira (11) o primeiro rascunho do texto-base que vai pautar o encontro, previsto para acontecer de 22 a 26 de junho no Rio de Janeiro.

Denominado “Draft Zero” (Rascunho Zero, na tradução do inglês), o material de 19 páginas aborda tópicos baseados nos três pilares do desenvolvimento sustentável (o econômico, o social e o ambiental) e convoca os países a criar soluções para erradicar a pobreza no mundo, reduzir o impacto na biodiversidade, além de resolver questões diplomáticas como a criação de uma “agência ambiental” independente, que seria sediada no Quênia.

A divulgação do texto é o primeiro passo para as negociações diplomáticas que ocorrerão na reunião, sediada no Brasil 20 anos após a Cúpula da Terra (Rio 92). O Ministério das Relações Exteriores contabiliza a presença de 100 a 120 chefes de estado.

O documento, que poderá ser modificado até o início da conferência, afirma que entre 2012 e 2015, as nações terão que criar metas para se chegar a uma economia verde, colocadas em prática em três anos e consolidadas até 2030.

Metas – Elaborado com ajuda de diversos países, o relatório aponta preocupação com a pobreza no mundo, “onde existem 1,4 bilhão de pessoas em situação de miséria, sob ameaça constante de pandemias e epidemias”, e reconhece a necessidade de “redobrar esforços” contra este problema, além de assegurar que as atividades humanas respeitem os ecossistemas da Terra.

No contexto da economia verde, as nações, baseadas nos “Princípios do Rio”, possível nome do documento resultante da conferência, o desenvolvimento sustentável só ocorreria com uma integração entre os países mais pobres e ricos.

Para isso, seria evitada a criação de barreiras comerciais, fomentado mecanismos de financiamentos e de transferência de tecnologia, além de incentivar a diminuição da dependência tecnológica dos países em desenvolvimento.

No tópico “Meios de implementação”, o documento faz um apelo aos países ricos para que, até 2015, repassem ao menos 0,27% de seu Produto Interno Bruto (PIB) às nações pobres e às em desenvolvimento como “assistência oficial”, o que pode ser contestado pelos envolvidos devido à crise econômica que atinge a Europa e os Estados Unidos.

Ambiental – O rascunho, que será apresentado à Secretaria-Geral da ONU, aborda ainda, de forma sintetizada, soluções para 15 temas-chave, entre eles a segurança alimentar, as florestas, as mudanças climáticas, os oceanos e mares.

No tópico energia, por exemplo, propõe a modernização dos serviços de energia e melhora na eficiência energética com a promoção do uso tecnologias limpas.

Segundo Renata Camargo, coordenadora de políticas públicas da organização ambiental Greenpeace, o documento é pouco ambicioso e “não levou em conta a urgência do tema, como a mudança climática”.

“A parte que interessa ao Brasil, como a questão das florestas, está fraca. Ele deveria sinalizar medidas efetivas para a redução do desmatamento, porque isso valeria não só para o país, mas para todas as nações com florestas tropicais, como a Indonésia ou o Congo”, disse.

Ainda de acordo com Renata, na parte da energia os termos utilizados no texto estão “pobres e vagos”, sem apontar para um instrumento que sinalizaria para algo mais concreto.

Porém, a representante do Greenpeace aponta um avanço na questão da proteção dos oceanos e mares. “É uma discussão que já ocorre nas Nações Unidas há alguns anos, sobre quais são os direitos dos países no uso dos mares”, disse. O texto pede uma solução imediata para conservação e uso sustentável da biodiversidade fora das jurisdições nacionais. (Fonte: Eduardo Carvalho/ Globo Natureza)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

FOTOS DAS ENCHENTES EM LAVRAS E RIBEIRÃO VERMELHO EM 11/01

VISÃO DE RIBEIRÃO VERMELHO

PONTE DE ACESSO AO BAIRRO NITERÓI EM LAVRAS



VISÃO DA PONTE RODOFERROVIÁRIA E BAIRRO NITERÓI AOS FUNDOS

BAIRRO NITERÓI EM LAVRAS - DIVISA COM RIBEIRÃO VERMELHO



 RIBEIRÃO VERMELHO





CASA ÀS MARGENS DA FERROVIA E ROTUNDA AOS FUNDOS









ROTUNDA









ACESSO PARA LAVRAS

Tragédias decorrentes de desastres naturais reaquecem discussão sobre novo Código Florestal


Para ambientalistas, desmatamentos têm relação com os desastres naturais no Sudeste. Ruralistas rechaçam esse argumento. Votação final da lei será em março

As tragédias causadas pelas chuvas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro devem influenciar a discussão do novo Código Florestal na Câmara Federal, prevista para ser retomada em março. Os ambientalistas consideram que os desastres naturais são resultado do desrespeito à atual legislação ambiental, enquanto os ruralistas dizem que outros fatores contribuem para os alagamentos e deslizamentos de terras. Reportagem do Gazeta do Povo, PR.

Estudo indica que desmate amplia efeitos das chuvas

Embora os ruralistas discordem, estudo realizado pelo Ministério do Meio Ambiente, no ano passado, baseado em imagens aéreas dos locais afetados pela chuva na região serrana do Rio de Janeiro, mostra que a ocupação de áreas de preservação permanentes (as APPs, como as margens de rios) e o desmatamento de morros são responsáveis por mortes e pelo prejuízo econômico trazido pela chuva.

“Se a faixa de 30 metros em cada margem (…) estivesse livre para a passagem da água, bem como, se as áreas com elevada inclinação (…) estivessem livres da ocupação e intervenções inadequadas, (…), os efeitos da chuva teriam sido significativamente menores”, diz o documento do ministério.

Professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da UFPR, o engenheiro civil Cristó­vão Fernandes afirma que as catástrofes naturais deveriam mobilizar mais a discussão na so­­ciedade, pois colocam em jogo o futuro do país. Apesar de não culpar exclusivamente a falta de preservação ao meio ambiente, Fernandes afirma que esses eventos climáticos considerados extremos têm sido cada dia mais frequentes. “Isso deixa clara a falta de planejamento para uma política adequada de uso e ocupação do solo, que respeite o meio ambiente e a necessidade de uso dos recursos”, diz.

No ano passado, o novo Código Florestal foi aprovado na Câmara e sofreu alterações no Senado (veja infográfico ao lado). Por isso, voltou para nova votação pelos deputados. O atual relator do projeto, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), pode acatar ou vetar as sugestões ao texto original feitas pelos senadores, mas não pode fazer nova redação.

Eventos cíclicos

Membro da bancada ruralista, o deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS) sustenta que os desastres naturais são cíclicos – não sofrem influência direta do uso do solo para a agricultura e pecuária. “Tenho 61 anos e, desde criança, vejo isso acontecer. Há outros fatores que afetam essa situação”, afirma ele, sem citar exemplos.

Por outro lado, André Vargas (PT-PR), integrante da ala ambientalista, reconhece que a má ocupação do solo e o desmatamento colaboram para as catástrofes, pois as matas ajudam a reter água da chuva e evitam as cheias dos rios. Apesar de sua posição, considera que a influência dos desastres no Sudeste será menor em razão do tempo para o debate.

A opinião dos deputados segue o posicionamento das entidades da sociedade civil. O assessor da presidência da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) Carlos Augusto Albu­quer­que considera “desonesto” usar as tragédias para discutir o novo Código. “Essas tragédias são urbanas. Nada aconteceu no meio rural”, afirma.

Porém, Mario Mantovani, diretor da ONG ambientalista SOS Mata Atlântica, alega que não se trata de fazer previsões apocalípticas, mas de observar o que acontece no país. “Estamos vivendo outros eventos climáticos extremos cada vez mais potencializados, como a seca no Paraná”, avalia.

Meio-termo

O texto do Senado parece pelo me­­nos ter agradado aos grupos envolvidos. No entanto, a anistia a quem avançou sobre as áreas de preservação permanente (APPs) continua a gerar discórdia. “As grandes propriedades [rurais] precisam ser vistas como empresas e fazer a reconstituição da mata, mas deve se pensar na AGRICULTURA FAMILIAR”, afirma Vargas.

O deputado Heinze, por outro lado, argumenta que, como a lei mudará, a nova regra só passaria a ser válida posteriormente – o que isentaria os agricultores que já desmataram de fazer a recomposição. “Trata-se de um direito adquirido. Pretendemos corrigir isso [retirar da lei o trecho que obriga o reflorestamento].”

Apesar do desacordo, os am­­bientalistas consideram o projeto do Senado mais benéfico do que o aprovado inicialmente pela Câ­­mara, sobretudo por reconhecer a restauração dos 30 metros nas APPs. Contudo, como Piau é também autor da emenda 164, que permitiria aos estados determinar o que pode ser plantado em APPs, há o temor de que as alterações sugeridas pelo Senado sejam rejeitadas. “O texto já não é o mais adequado. Com esse relator, isso será colocado em risco. É como ter a raposa cuidando do galinheiro”, diz Mantovani.

Vargas, por outro lado, não vê Piau como empecilho. “O texto atual [do Senado] tem tendência grande de ser mantido. A posição do governo é manter o que o Senado decidiu”, diz. Do lado dos agricultores, ainda existem assuntos a ser discutidos. “Há resistência a alguns pontos, estamos aguardando as conversas do relator com todos os envolvidos”, revela Heinze.

EcoDebate, 11/01/2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

FOTOS DAS ENCHENTES EM LAVRAS, RIBEIRÃO VERMELHO E IBITURUNA EM 08 E 09/01

ZONA NORTE DE LAVRAS 

 RUA DOS EXPEDICIONÁRIOS - ZONA NORTE DE LAVRAS

RUA NA ZONA NORTE DE LAVRAS APÓS ENCHENTE



 RAMPA DE ACESSO AO GINÁSIO DA UFLA



CAMPO DE FUTEBOL DA UFLA

PONTE RODOFERROVIÁRIA - LAVRAS/RIBEIRÃO VERMELHO



ACESSO DE RIBEIRÃO VERMELHO PARA LAVRAS PELA PONTE

ROTUNDA DE RIBEIRÃO VERMELHO

 PONTE EM IBITURUNA

 IBITURUNA










Número de cidades de MG em situação de emergência sobe para 116

Com as vítimas de Além Paraíba, Minas Gerais registrou, somente em janeiro, 13 mortes por causa da chuva. Agora são 116 cidades em situação de emergência.

Um barulho durante a madrugada acordou os moradores de uma casa e de um prédio em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Os imóveis foram soterrados. “Eu peguei só a roupa da minha filha e o salário que tinha recebido e saí correndo. Na hora que nós saímos, a casa de cima entortou, caiu tudo”, lembra uma moradora.

Em Pescador, no leste de Minas, três horas de chuva forte fizeram o córrego transbordar e destruir casas.

Várias comunidades rurais em Passatempo, no centro-oeste mineiro, estão isoladas. Oito pontes desabaram. Na mesma região, um enorme buraco interdita a BR-494.

No sul de Minas, pelo menos quatro cidades foram alagadas: Ribeirão Vermelho, Nazareno, Ibituruna e Lavras.

A Justiça determinou, nesta segunda-feira (9) à tarde, a demolição de um prédio que ameaça desabar em Belo Horizonte.

Em Betim, o nível da água já baixou. A limpeza é feita com ajuda de caminhões-pipa e os moradores foram orientados a não voltar para as casas porque há novos alertas de chuva forte. “É importante essa limpeza para evitarmos os surtos de doenças”, explica um homem.

“Aqui a gente corre risco, porque vai que a gente vem para cá e depois o rio sobe de novo, como é que a gente vai sair?”, diz uma moradora. (Fonte: G1)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A culpa não é da chuva, artigo de Norbert Suchanek


Inundações em Minas Gerais, inundações na Serra e no Norte do Estado do Rio de Janeiro. Cada ano aos enchentes aumentam. “A culpa é da chuva“, os apresentadores, repórteres do TV e os políticos não se cansam de falar.

Mas a culpa não é da chuva. Dois dos grandes vilões são o asfalto e o cimento!

Cada metro quadrado cimentado ou asfaltado é um metro quadrado da terra perdida. Cada nova casa, cada quintal, cada novo estacionamento, cada nova rua, estrada e rodovia cimentadas e asfaltadas é terra perdida, que significa uma redução da capacidade do solo de absorver as águas da chuva.

Cada dia os solos brasileiros tem menos capacidade de incorporar e segurar águas das chuvas e transportá-las até aos recursos hídricos subterrâneos. Cada dia as águas das chuvas têm menos chance de infiltrar-se. Ao invés de se infiltrar no solo para aumentar as águas subterrâneas, as chuvas são transportadas cada vez mais rápido aos riachos e rios, já que não são mais tão bem absorvidas pelo solo. As enchentes aumentaram em sua amplitude e sua força.

Além disso, o cimento já é o grande vilão ambiental desde a sua produção. Cada saco de cimento, cada tonelada de cimento, está responsável pela destruição de um morro com vida e terra. E também responsável por um alto gasto de energia térmica à base de petróleo, carvão, lenha ou pneus usados para a sua produção. Dados da indústria de cimento calculam que para produzir uma tonelada de cimento, é necessário o equivalente a 60 a 130 kg de combustível e 110 kWh de energia eléctrica, o que significa uma emissão de aproximadamente 610 kg de dióxido de carbono (CO2) por tonelada de cimento, além de outros gases tóxicos. Nem só no Brasil, mas mundialmente as fábricas de cimento representam uma das indústrias mais poluentes e uma das maiores consumidoras de energia do planeta.

Cimento nunca foi e nunca vai ser social. Cimento é um crime ambiental!

Na véspera da Rio+20, é hora de questionar a quantidade absurda do uso de cimento no Brasil!

Norbert Suchanek, Correspondente e Jornalista de Ciência e Ecologia, é articulista e colaborador do EcoDebate

EcoDebate, 09/01/2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Enxurrada de descasos, artigo de Marina Silva

As chuvas torrenciais chegam com o verão e de novo assistimos a cenas trágicas, com transbordamento de rios, queda de encostas e barreiras, alagamento de cidades inteiras. Até agora, três Estados foram fortemente atingidos, com milhares de pessoas desalojadas, dezenas de vítimas, municípios totalmente destruídos.

Em 2011, mais de 900 pessoas morreram só na região serrana do Rio. Salvo a criação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, que cobre só uma parte dos municípios críticos, tudo seguiu como antes.

Os cientistas vêm alertando que o aquecimento global provoca uma maior frequência de eventos climáticos extremos. Sabemos que a ausência de planejamento na ocupação de áreas urbanas expõe um grande contingente da população a riscos na maior parte das cidades brasileiras.

Mas, apesar de termos instrumentos técnicos e recursos para avaliar os riscos e adotar medidas de prevenção, fatores políticos fazem com que nos atolemos na lama da imprudência e deixemos milhões de brasileiros sujeitos a se tornarem vítimas dessas catástrofes.

Agora, por exemplo, ficamos sabendo que a pouca verba existente para a prevenção de desastres ambientais é destinada quase toda (90% dela) ao Estado de origem do Ministro da Integração Nacional. Desta vez, Pernambuco, mas, em 2010, quando o então ministro era baiano, foi a Bahia.

E mais: as duas cidades que receberam a maior parte das verbas não constam na lista de prioritárias para recebimento dos recursos. Só 1,5% da verba de prevenção foi para municípios de áreas de risco, segundo a ONG Contas Abertas, que realizou o levantamento.

Sabemos que o volume de recursos para a prevenção de desastres naturais é insuficiente diante do tamanho do problema. Pequeno em termos absolutos, cerca de R$ 155 milhões desembolsados em 2011, e, sobretudo, em termos relativos. Em 2011, o governo gastou mais de R$ 1 bilhão na recuperação das áreas afetadas.

O pouco recurso, quando disponível, não é efetivamente aplicado. Segundo a Contas Abertas, de 2004 a 2011 foi autorizada no orçamento do Ministério da Integração Nacional uma dotação de R$ 3,3 bilhões, mas apenas R$ 1,8 bilhão foi empenhado. Disto, só R$ 790 milhões foram pagos. Ou seja, nos últimos oito anos, menos de um quarto dos recursos virou obra para a prevenção de riscos.

Quando o Congresso voltar a discutir o Código Florestal, também precisará corrigir no projeto a permissão prevista para mais ocupações em áreas de risco ambiental, especialmente encostas e margens de rios. Os governos ainda não mostraram efetiva disposição de enfrentar tais problemas e proteger a população exposta. O que mais precisa acontecer?

Artigo publicado em 06/01/2012 na Folha de S.Paulo.