Daniel Santini

Um artigo opinativo com o título “Mais bicicletas, mais acidentes”, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo nesta semana, provocou polêmica sobre o direito e a prudência de se trafegar com bicicletas em cidades. Na esteira de informações descontextualizadas e conclusões precipitadas tomadas sem nenhum critério científico ou cuidado, veio a enxurrada de comentários em redes sociais classificando como suicidas ou malucos os que optam por tal alternativa e reforçando a ideia de que ruas e avenidas devem ser exclusivas para veículos motorizados. Em tempo de eleições municipais, vale discutir: as cidades devem ser feitas para automóveis ou pessoas? Será que o temerário, em termos de saúde pública e segurança, é buscar alternativas ou manter o sistema atual de mobilidade baseado em carros acelerando cada vez mais rápido em zonas residenciais?

Somente com dados completos e contextualizados é possível chegar a conclusões tal fortes como as apresentadas no texto. Conforme análises publicadas nos blogs Vá de Bike eNa Bike, estudos anteriores apontam justamente o contrário do que a manchete do texto deixa a entender. Quanto mais bicicletas nas ruas, menor é o número de acidentes. Quem pedala nas cidade e vive o trânsito, sabe disso.
Velocidade e cidades para pessoas

A questão das motos é um problema que, ao contrário dos acidentes envolvendo bicicletas, tem recebido atenção e sido bem contextualizada por profissionais como os médicos Júlia Greve e Marcelo Rosa de Rezende. Os dois estão por trás do Programa de Redução de Acidentes, o HC em Movimento, e tem procurado chamar atenção para a necessidade de mudanças urgentes no que se refere ao transporte individual motorizado, em especial motos. "Mudar significa tirar o pé do acelerador, diminuir a velocidade, usar o veículo com responsabilidade e sabedoria, valorizar o transporte coletivo e preservar o espaço urbano para as pessoas. As cidades são feitas para pessoas e não para veículos", afirma a médica Júlia Greve, segundo o informe enviado.

É com dados que se combate preconceito e sensacionalismo. Queiram os incomodados ou não, sa pessoas estão se envolvendo, se organizando e buscando dados, a cobrança por mais transparência em relação a informações que devem ser públicas aumenta, e isso vai se refletir nas eleições. Não por acaso, em todo o Brasil grupos de ciclistas pressionam para que os candidatos às Prefeituras e às Câmaras Municipais de todo o país assumam compromissos em relação a mudanças necessárias. Neste final de semana, em São Paulo, dois candidatos à prefeitura, Gabriel Chalita (PMDB) e Fernando Haddad (PT) se dispuseram a discutir e assumir compromissos por mudanças. E é só o começo.
As imagens que ilustram este artigo foram todas tiradas da coleção de clippart do Apocalipse Motorizado
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