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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Eco-carnaval


 
 É Carnaval! Confetes e serpentinas já começam a entrar em cena. Período de muita alegria e diversão, ou simplesmente de descanso. Mas acima de tudo um período de muito consumo de combustíveis, energia elétrica, água, além de grande produção de lixo, que na maioria fica espalha pelas ruas.
Em razão do enorme consumo de água, tendo em vista o grande número de foliões que se deslocam para as tradicionais festas no interior de Minas Gerais, pelo menos 19 cidades cancelaram o carnaval deste ano. As prefeituras temem que o consumo de água aumente muito durante a festa e o sistema de distribuição de água não dê conta da demanda. A maioria dos municípios nessa situação fica na região centro-oeste de Minas. Veja a lista:

Cidades que cancelaram por crise hídrica e financeira

Campina Verde (cabe recurso)
Itaguara
Itaguatama
Itapecerica
Oliveira
São Gonçalo do Pará
Carmo da Mata
Passatempo
Itabira
Recreio

Cidades que cancelaram por segurança pública, com receio de excesso de foliões
Carmópolis de Minas
Cláudio
Matheus Leme
Formiga
Santa Maria de Itabira
Arcos
Piracema
São Francisco de Paula
Lagoa da Prata
Moema

A festa mais brasileira de todas mistura alegria e diversão com tristeza, sujeira, violência, discórdia etc. O propósito é se divertir e celebrar a vida sem poluir, sujar, brigar e agredir o próprio corpo. Por isso, mude seus conceitos, conscientize, economize água, não jogue lixo no chão, respeite o cidadão, recicle suas fantasias, não urine nas ruas e tire a máscara do descaso e indiferença ambientais.

Rodrigo Mesquita Costa é Advogado e Analista Ambiental do Instituto Estadual de Florestas – IEF.

ONU alerta: apenas 20% da água residual é tratada, provocando riscos para saúde e biodiversidade


O acesso escasso à água e a contaminação desse bem natural geram doenças graves, principalmente na África onde mais de 547 milhões de pessoas carecem de acesso a saneamento básico.


Em tempos de crise hídrica, uma solução para minimizar a falta de água pode ser sua reciclagem. Mas, apenas 20% da água residual do mundo é atualmente tratada, prejudicando, principalmente, os países de baixa renda. A informação faz parte de um relatório elaborado por várias agências da ONU e divulgado na última segunda-feira (02).

O documento, produzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) e o Programa da ONU para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), em nome da ONU Água, intitulado Gestão de Águas Residuais, descreve os danos provocados no ecossistema e biodiversidade pela contaminação da água e a falta de tratamento, que prejudicam a saúde, as atividades econômicas e a segurança desse recurso natural.

Nos países de baixa renda, esse problema se agrava, com apenas 8% dos países capazes de tratar as águas residuais. O acesso escasso à água e a contaminação desse bem natural geram doenças graves, que poderiam ser facilmente evitadas, principalmente na África, onde mais de 547 milhões de pessoas carecem de acesso a saneamento básico.

Para o diretor executivo do ONU-Habitat, Joan Clos, o gestão da água residual deve ser parte integral do planejamento urbano e da legislação de um país e a Conferência sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável (Habitat III), que acontece em 2016, oferecerá uma oportunidade para tratar esse tema de forma global.

Já o chefe do PNUMA, Achim Steiner, ressaltou que cerca de 70% dos resíduos industriais em países em desenvolvimento não são tratados. Uma cifra que se bem administrada pode converter-se em uma oportunidade de conservação e acesso para diferentes setores.

“A agricultura consome 70% da extração global de água, mas a irrigação da agricultura com água residual reaproveitada está em alta e é usada para irrigar entre 20 e 45 milhões de hectares em todo o mundo. Isso é apenas uma fração do que é possível, se políticas e tecnologias disponíveis convergirem para assegurar que a água residual e água de qualidade sejam integradas em uma agenda de água mais holística dentro do processo pós-2015”, adicionou.

Fonte: ONU Brasil

Publicado no Portal EcoDebate, 06/02/2015

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Conselho recusa expansão de mineração em APA de Minas


((o))eco - 04/02/15


Mineração de Granito dentro da APA Santuário da Pedra Branca. Moradores querem impedir novas frentes, como essa. Foto: Ederson Godoy

O Conselho de Política Ambiental do Sul de Minas Gerais (COPAM Sul de Minas) indeferiu o pedido da mineradora C. R. Fernando da Paz de abrir novas frentes de lavra dentro da APA Santuário Ecológico da Pedra Branca, em Caldas/MG e na Zona de Amortecimento da Reserva Biológica Municipal Pedra do Coração.

Mesmo com o apoio do prefeito da cidade, Ulisses Guimarães Borges (PTB), e com a presença de 75 funcionários da empresa que foram à reunião do conselho uniformizados com uma camisa "sou 100% mineiro", a decisão unânime do conselho foi seguir a lei municipal (nº 1.973), de 2006, que proíbe a atividade de mineração em toda a extensão desta Área de Proteção Ambiental Municipal, “com exceção das já instaladas e com as devidas licenças de operação” (veja o parecer do Conselho).

*As informações são do site cirandas.net, que se dedica a promover os princípios da Economia Solidária e do Parecer Único do COPAM Sul de Minas. O Cirandas.Net também disponibilizou o áudio da reunião.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Os dez anos mais quentes e a aceleração do aquecimento global, artigo de José Eustáquio Diniz Alves






[EcoDebate] O ano de 2014 foi o mais quente do planeta desde o início das medições oficiais em 1880, de acordo com análises da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), da Nasa. Em 2014, a temperatura média ficou 0,69°C acima da média do século XX, superando as marcas prévias de 2005 e 2010.

Dos 15 anos mais quentes, 14 ocorreram a partir da virada do milênio. O ano de 1998 foi o mais quente do século XX e ainda está entre os dez anos mais quentes já registrados. Entre 1998 e 2010 a variação da temperatura foi de somente 0,02º C. Isto possibilitou que vários céticos falassem em “hiato” e desaceleração do aquecimento. Mas os dados de 2014 mostram que a variação foi de 0,04º C. entre 2010 e 2014, ou seja, o aquecimento está se acelerando.

As regiões do mundo que apresentaram recordes de calor foram a Rússia, o oeste do Alasca, o oeste dos Estados Unidos (EUA), algumas zonas da América do Sul, parte do litoral australiano, norte da África e quase toda a Europa. O leste dos EUA foi a única região a apresentar esfriamento, em função dos ventos do Ártico (polar vortex).

O aquecimento provoca o desgelo dos polos e a elevação do nível dos oceanos. A média mundial de gelo no Ártico foi de 28,46 milhões de km², a menor área em 36 anos. Ainda segundo a NOAA, na Antártica o gelo marinho caiu ao nível mais baixo já registrados: 33,87 milhões de km². Vários países ilhas (como Tuvalu) estão ameaçados de desaparecimento e várias grandes cidades do mundo estão ameaçadas de inundações.

Considerando os anos extremos, em relação à média do século XX, a temperatura do ano de 1911 foi de -0,44º C, ou seja, quase meio grau Celsius abaixo da média, enquanto o ano de 2014 ficou 0,69º C. acima da média. Entre os extremos a variação foi de 1,13º C. Tendo como referência o final do século XIX, quando foi iniciada a medição, a temperatura média da Terra está 0,8°C mais quente, aquecimento provocado fundamentalmente pelo aumento das emissões de dióxido de carbono e de outros gases de efeito estufa na atmosfera do planeta, gerados, na sua maior parte, pela queima de combustíveis fósseis, desmatamento e ampliação da agricultura e pecuária.







Nos últimos 50 anos o aquecimento global aumentou 0,15º C. por década. Se esta média continuar nos próximos 100 anos, o mundo vai ultrapassar os 2º C. previstos nos acordos internacionais. A probabilidade de isto acontecer é grande, pois o efeito estufa tem se acelerado devido ao aumento da emissão dos gases de efeito estufa (GEE).

Para agravar a situação, o aquecimento global provoca mudanças climáticas e aumento dos eventos extremos como fortes chuvas em algumas regiões e fortes secas em outras. A região Sudeste do Brasil está passando por sua maior crise hídrica da história. O desmatamento da Amazônia contribui para o aumento da temperatura global e os dois fenômenos contribuem para a falta de água nas maiores cidades do Brasil. Talvez o caos da falta d’água em 2015 abra os olhos da população e dos dirigentes brasileiros para os constantes danos causados à natureza.

A crise hídrica e o aquecimento são problemas globais. Se nada for feito para mudar o sistema que provoca a degradação ambiental os custos humanos e o sofrimento das demais espécies será enorme, colocando em risco a sobrevivência da civilização urbano-industrial tal como a conhecemos até hoje.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

Publicado no Portal EcoDebate, 04/02/2015